
Por Aroldo Andrade e Paulo Cesar
Na busca desenfreada pelo lucro tanto o setor privado como o Estado agem sempre do mesmo modo, isto é, sempre no sentido de aumentar a jornada de trabalho, reduzir os salários e investir em tecnologia, não com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas com a finalidade de substituir o homem pela máquina para reduzir a folha de pagamento e, assim, aumentar o lucro daqueles que gerenciam o capital. No setor privado isto acontece diretamente uma vez que jogando os trabalhadores no olho da rua diminui a folha de pagamento e aumenta diretamente o lucro do capitalista. Já com o Estado isto acontece de forma indireta e, portanto, mais difícil de perceber, ou seja, quando o Estado joga os trabalhadores no olho da rua diminui também a folha de pagamento e com isso pode cobrar menos imposto do capitalista para que ele tenha um lucro maior. Uma outra medida do Estado burguês é estabelecer uma parceria com o sindicato pelego para que este desenvolva uma política junto aos trabalhadores no sentido de confundi-los e assim manter essa massa passiva, alienada e aguardando que a direção do sindicato pelego faça alguma coisa por ele.
O sindicato dos professores, por exemplo, toda vez que organiza os trabalhadores da educação para uma greve apresenta uma pauta de reivindicação extensa, e aí o Estado acaba atendendo algumas delas e assim os trabalhadores, enganados com essa forma de reivindicação, voltam todos para seus postos de trabalho de cabeça baixa não entendendo muito bem o que está acontecendo e com a intuição de que foram enganados. Geralmente, na lista de reivindicações aparecem questões como fundão e fundinho, dobra de padrão, hora atividade, pedágio, professores afastados por doença, a farsa do concurso e sobre o PSS parece que este nem existe para o sindicato.
O fundão e fundinho apareceram na pauta de reivindicação porque os professores que estão sob esse regime encontram grandes dificuldades para efetuarem sua aposentadoria. E, essa discriminação em relação a esses professores nada mais é do que mais uma das táticas para aumentar a jornada de trabalho dos trabalhadores da educação, uma vez que o aumento da jornada pode se dar de várias maneiras, uma seria, por exemplo, aumentar a jornada de oito para dez horas, e uma outra poderia ser a de manter a jornada de oito horas e aumentar o número de anos para se aposentar, que acaba dando na mesma.
A dobra de padrão é por parte do Estado a intenção de aumentar a jornada de trabalho, e por parte do sindicato a maior traição com os trabalhadores da educação simplesmente porque quem toma a decisão de aumentar a jornada só pode ser um sindicato comprometido com a classe patronal, e esse tipo de sindicato é chamado de “sindicato pelego”.
Com relação ao concurso, a maioria dos aprovados não foram contratados pelo Estado, e mesmo sem serem contratados o Estado já anda insinuando de fazer outro concurso. Mas, a intenção do Estado, nesse caso, é manter um batalhão de reserva porque dessa maneira ele passa a ter o poder de comprimir o salário e aumentar a jornada daqueles que já estão trabalhando, sem contar que com poucos professores não há outra maneira a não ser aumentar o número de alunos em sala de aula, e, assim, torna-se possível, por parte do Estado, aumentar a jornada de trabalho, intensificar o trabalho do professor e, consequentemente, baixar a qualidade do ensino.
Nesse mesmo sentido aparece a questão dos professores contratados pelo regime PSS que apesar de muitos destes terem sido aprovados no concurso o Estado não os contrata definitivamente porque assim o professor é contratado e logo em seguida jogado no olho da rua como se fosse uma peça de máquina qualquer que se usa e joga fora quando bem entender. Mas, a intenção é sempre a mesma, manter um batalhão de reserva para diminuir o salário e intensificar o trabalho daqueles estão empregados.
Além de todas essas injustiças está também a questão dos professores que ficam doente e assim que retornam ao trabalho precisam fazer a reposição das aulas. Ora, neste caso o professor passa a ser penalizado duas vezes, a primeira pelo fato de ficar doente e a segunda porque terá sua jornada de trabalho aumentada e intensificada para poder repor suas aulas. Enquanto isso, os vários professores que passaram no concurso e estão desempregados continuam sem trabalho e consequentemente sem salário.
Além de tudo isso, está também a questão do pedágio que por uma mudança da lei alguns professores terão que trabalhar mais alguns anos além daquilo que já estava determinado para poderem se aposentar. Neste caso também segue a mesma lógica do parágrafo anterior que tem como finalidade o aumento da jornada de trabalho.
Por último, temos a questão da hora atividade que foi criada para o professor ler algum material para preparar melhor sua aula e assim manter-se também mais atualizado. No entanto, os burocratas rapidamente se anteciparam e passaram a ocupar esse tempo do professor cobrando dele uma série de atividades burocráticas. Assim, o professor novamente teve que deixar as atividades, necessárias para seu bom desempenho, para serem feitas em casa, além de levar também outras atividades burocráticas como livros de chamada e outros.
Diante de tudo isso, percebe-se que as reivindicações feitas pelo sindicato é um conjunto de propostas desarticuladas de tal modo que servem apenas para confundir, jogar um professor contra o outro e contribuir com o governo burguês, uma vez tratar-se de um sindicato que está controlado pelo PT e que por sua vez está em aliança com o próprio governo. Portanto, é hora dos trabalhadores da educação se organizarem em torno de uma proposta que de fato atenda o interesse de todos os professores e assim basta substituir essa desordem nas reivindicações pelas seguintes propostas:
-Máximo de 20 a 25 alunos por sala!
-Reajuste mensal dos salários de acordo com a inflação!
-Redução da jornada sem redução do salário!
-Se mesmo assim, houver professores desempregados, exigir-se-á a repartição das horas de trabalho existente entre todos os professores sem redução de salário!
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