
Por Jarbas Martíns
Já no século XIX o filósofo Karl Marx mostrou que a sociedade em que vivemos transformou-se no mundo das mercadorias. Diz ele que “A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista aparece como uma imensa coleção de mercadorias”1. Se analisarmos atentamente esta passagem de O Capital de Marx, podemos perceber como nossa vida possui relação direta com as mercadorias. Além disso, “Para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter habitação, vestir-se e outras coisas mais”2. Quando ouvimos falar de “mercado”, vários são os sentidos que esta palavra toma em nossas mentes. Como por exemplo, mercado de petróleo, mercado das bolsas de valores, mercado do dólar, mercado de futebol, etc. Mas há um tipo de mercado especial, tão comentado todos os dias pelos meios de comunicação e que diz respeito à todos os trabalhadores: o mercado de trabalho. Mas, afinal de contas, o que de comum tem os trabalhadores e o dito mercado de trabalho? Principalmente quando se ouve falar em mercado de trabalho para pedreiros, mercado para professores, serventes, metalúrgicos, motoristas, carpinteiros etc., e que, por força de lei são executados dentro do modo de produção capitalista.
Os trabalhadores compõem a grande maioria da população e são responsáveis pela riqueza produzida em todo mundo. Isso significa dizer que toda a riqueza é resultado da força que os trabalhadores empregam para produzir mercadorias. No entanto, sabemos que o mercado de trabalho não oferece oportunidade para todos, e, desse modo os patrões, pressionam os trabalhadores para produzirem em ritmos cada vez mais acelerados, fazendo do trabalhador uma simples “máquina humana de produção”. E a conseqüência disso são as seqüelas irreversíveis para a saúde física e mental do trabalhador. Nesse sentido, ou operário entra no ritmo da produção ou é trocado por outro que está na fila dos desempregados. E quando o trabalhador está desempregado procurando por trabalho, os patrões, dono dos meios de produção ou gerentes do capital, exigem para a contratação desses trabalhadores competência, dinamismo e produtividade. E porque eles podem exigir tudo isso dos trabalhadores? Simplesmente porque há vários trabalhadores na mesma situação, isto é, um batalhão de desempregados – Exército de Reserva – na disputa pela mesma vaga de trabalho, não restando outra alternativa para os trabalhadores a não ser aceitar tais condições e de ir para o “curtume”.
Portanto, a própria dinâmica da sociedade capitalista coloca os trabalhadores em luta uns contra os outros, ou seja, os patrões jogam trabalhadores contra os próprios trabalhadores. Pode-se perceber este conflito até mesmo na maioria dos sindicatos, (CUT, Força Sindical, Conlutas, etc.) e no qual acaba passando despercebido pelos trabalhadores devido ações camufladas dos governos e dos meios de comunicação. Mas, a perda do emprego traz para os trabalhadores conseqüências dramáticas e problemas para a convivência social. Primeiro a cobrança por parte da família e segundo por parte da própria sociedade, uma vez que nos círculos de nossa convivência perdemos a confiança dos amigos, dos vizinhos, sem falar nos insultos que todo desempregado já ouviu, como por exemplo, vagabundo, vadio, coitado e etc., não é verdade?
Portanto, este é o resultado da relação entre os trabalhadores e este “Fantasma” e senhor oculto chamado MERCADO DE TRABALHO. E ainda mais, este Ser, chamado mercado de trabalho, exige uma disputa constante entre os trabalhadores por uma vaga de trabalho, uma disputa desigual porque os trabalhadores não são donos dos meios de produção. Quer dizer, das indústrias ou fábricas, mas apenas são donos de sua FORÇA DE TRABALHO e que para sobreviverem se vêem obrigados a vendê-la no mercado de trabalho. Por isso a luta não deve ser travada entre os trabalhadores, pelo contrário, a luta deve acontecer entre os trabalhadores e entre a classe dos capitalistas, proprietários e donos dos meios de produção. Dito melhor, é um conflito entre duas classes, o PROLETARIADO e a BURGUESIA.
Esta luta pode e deve ser feita pelos trabalhadores reivindicando DIREITO AO TRABALHO e uma EXISTÊNCIA DIGNA para todos! Pela razão de que isto é o mínimo que se pode exigir numa sociedade com tantos desempregados, além daqueles que estão empregados porém com seus salários abaixo do valor de sua força de trabalho. Portanto, só a união entre os Trabalhadores, desempregados e estudantes poderá dar origem a algo novo, a uma nova sociedade. No entanto, esta luta somente será possível através de COMITÊS e CONSELHOS dirigidos pelos próprios trabalhadores uma vez que a maioria dos sindicatos está, hoje, sendo controlados por patrões e governos. Desse modo, para que essa luta se torne real é preciso defender e levar ao extremo a união autônoma dos trabalhadores, criando os COMITES DE FÁBRICAS, COMITES DE GREVE e COMITÊS CONTRA O DESEMPREGO. Será através destes COMITÊS que os Trabalhadores deverão exigir as ESCALAS MÓVEIS DE HORAS DE TRABALHO. Ou seja, que as horas de trabalho existentes sejam divididas entre todos, SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS. Ao mesmo tempo, para que os salários não sejam corroídos pelo aumento dos preços, os Trabalhadores devem exigir que os salários sejam reajustados mensalmente de acordo com a inflação. Se mesmo assim houver desempregados, os Comitês devem pressionar o governo para que se criem FRENTES PÚBLICAS DE TRABALHO: Para a construção de Universidades, Escolas, Hospitais etc., para que os trabalhadores e seus filhos possam ter melhores condições de vida. Porém, tais FRENTES PÚBLICAS devem ser administradas totalmente pelos COMITÊS DE TRABALHADORES. O controle operário em tais casos ocupará o lugar de uma administração direta pelos próprios operários e torna-se-á a ESCOLA DA ECONOMIA PLANIFICADA.
1 MARX, Karl. O Capital – Livro I – Vol. I – Coleção os Economistas. Tradução Regis Barbosa. São Paulo: Nova cultural, 1988.
2 MARX, Karl. A Ideologia Alemã. Tradução Frank Muller. São Paulo: Martin Claret, 2006.
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