ELEIÇÕES 2012: QUE FAZER?Por Grupo Movimento
As eleições municipais estão próximas e isto exige de nós uma reflexão para esta conjuntura. Nos programas eleitorais que antecedem as eleições os candidatos vão fazer de tudo para convencer o eleitor de que ele, o candidato, é o mais confiável e competente para administrar o município. Mas, a análise não deve ser feita apenas com o foco no candidato, uma vez que estes estão filiados a um partido político no qual possui um programa que o candidato deve estar de acordo para fazer parte do mesmo, e no caso de ser candidato não deve somente estar de acordo, mas ser a expressão máxima das intenções do partido. Por isso, vamos analisar cada uma destas organizações políticas e tirar daí uma conclusão para orientar melhor nosso voto.
Durante o período da ditadura militar o partido que representava a chamada “linha dura”, os torturadores, os fascistas e seus simpatizantes, era a então Aliança Renovadora Nacional (ARENA) que com o fim do regime militar substituiu seu nome várias vezes. Mas, apesar de mudarem de sigla conforme o momento a linha de pensamento de seus integrantes manteve-se intacta. Ou seja, à medida que o partido se desgastava era interessante, como tática, mudar de sigla, confundir o eleitor, se manterem no poder para defender os interesses de uma oligarquia que sempre se utilizou do Estado para ampliar suas fortunas e, dessa forma, continuar lucrando sem bloqueios e sem limite com a exploração sobre os trabalhadores. De Arena para PDS, de PDS para PFL, de PFL para DEM, os Fascistas agora se intitulam “Democratas”.
Ao lado da ARENA existia o MDB, composto por um grupo de pessoas que se dizia contra a ditadura militar e que aparentemente pareciam estar interessados no fim do regime. Diziam defender a implantação de uma democracia representativa e com isso dar liberdade ao povo para que pudesse se expressar, restaurando a “República” e a “Liberdade”. Na verdade, a liberdade da qual falam os membros deste partido nada mais é do que a “Liberdade de exploração”, ou ainda, Liberdade de comprar e vender o que bem quiser a ponto de negociar, não apenas os corpos dos indivíduos, mas até suas consciências. “Igualdade”, não no sentido econômico, mas igualdade de oportunidade, que significa o mesmo que dar “oportunidade igual à galinha e à raposa”. “Fraternidade” como se fosse possível amizade entre exploradores e explorados. Estes são os “princípios” fundadores da Constituição de 1988, e é por isso que o que vemos de lá para cá é um aumento significativo dos conflitos sociais, da desigualdade econômica, do desemprego, da miséria, da fome, da violência e da opressão. O partido que aparece hoje com a sigla PMDB, desde a derrubada do regime militar, sempre esteve no poder e seus governos não resolveram e nem pretendem resolver o problema do desemprego, do achatamento salarial, da ampliação das favelas e da miséria que se espalham cada vez mais por todos os lados. Pelo contrário. Assim como todos os partidos burgueses, aprofundam e agravam ainda mais estes problemas através de corte de emprego, de salários e aumento da repressão sobre os trabalhadores e miseráveis.
Dentro da antiga ARENA (atual DEM) e MDB (atual PMDB), havia um grande número de pessoas descontentes devido à correlação de força no interior de cada um destes dois partidos, e, impossibilitados de disputar o poder acabaram unindo-se para formar o PSDB. Este partido, que busca representar a burguesia e a chamada “Social Democracia”, ao chegar ao poder com FHC em 1994, realizou uma série de projetos de privatização e demissões jamais vista no Brasil, jogando no olho da rua milhares de trabalhadores para conter os gastos públicos e dessa forma conter a inflação que se encontrava fora de controle na época. Controlou a inflação e causou um gigantesco desemprego, uma vez que inflação e desemprego são dois bicos do mesmo pau, ou seja, quando há equilíbrio de um o outro se desequilibra. Além de causar um brutal desemprego envolveu-se também em muita corrupção, mas, na época, estavam no governo e tinham força suficiente para bloquear todas as tentativas de criação de CPIs. Hoje, a CPI “Cachoeira” mostrou o envolvimento desse partido não só com corrupção através das construtoras e jogos de azar, mas também com uma gigantesca estrutura mafiosa. Para manter-se no poder e defender suas fortunas investem pesado em “segurança”, ou em outras palavras, em forte policiamento e aparato militar. Com a mesma forma de pensar, outros grupos também interessados no poder, e por não encontrar espaço nesses partidos já citados; ora pela correlação de forças, ora por vaidade de ego e ora pelo fato de que alguém atrapalhou interesses individuais de alguma pessoa ou de um subgrupo; formaram novos partidos ou se utilizaram de siglas mais antigas para se filiarem e entrar na disputa pelo poder, não com objetivo de alguma mudança significativa, mas apenas disputar e barganhar parte do poder para manter a mesma lógica de exploração sobre os trabalhadores e de ampliação da desigualdade social. Estes partidos aparecem hoje com a sigla PDT, PTB, PP, PPS, PSC, PL, PR, PSL, PSD, PV e outros.
O Partido dos “Trabalhadores” (PT) surge no cenário político em meados da década de 80, com o então processo de redemocratização. Embora no início, com um discurso de defesa dos trabalhadores, algumas lideranças menos significativas dentro do partido pensavam que a luta, de fato, consistia em colocar o poder sob o controle dos trabalhadores, mas logo se deram conta de que sua direção majoritária optou pela lógica capitalista e por uma aliança sólida com a burguesia, adotando um programa demagógico e filantrópico como bolsa família e outros. Todos estes programas e alianças petistas possui um só objetivo, isto é: manter a exploração sobre os trabalhadores e distribuir algumas migalhas entre os desempregados e miseráveis criados por essa mesma lógica de exploração. Esta maneira de governar assemelha-se ao “bonapartismo”, termo usado para lembrar o governo de Napoleão lll na França do século XIX, sobrinho do famoso Napoleão Bonaparte, que devido à luta de classe acirrada naquele momento chegou ao poder esse homem, considerado medíocre, que governava para a burguesia e distribuía salsichas para os pobres. Forma política e de governo muito semelhante a do PT. Como se isso não bastasse, a exemplo do PSDB e de todos os partidos burgueses, o PT está envolvido há tempos e até o pescoço em escândalos de corrupção.
Também temos partidos que intitulam-se “comunistas”, como o caso do PCdoB. Este partido, que possui sua origem em um grupo de desfiliados do antigo PCB, segue a mesma orientação de teses e práticas da velha, oportunista e burocrática direção stalinista, responsável pela degeneração do socialismo e pela implantação de uma ditadura corrupta e sanguinária na já extinta URSS. Este partido orienta os trabalhadores a se aliarem com a burguesia uma vez que, dizem eles, as forças produtivas da sociedade ainda não se desenvolveram o suficiente para implantação do socialismo. Nada melhor para a burguesia e para os oportunistas do que aliados “comunistas” como o PCdoB, simplesmente porque em socialismo só falam em dias de festa, pois na hora de administrar, segundo estes falsos comunistas, não se deve mexer em absolutamente nada do capitalismo e em sua lógica de exploração, mas se aliar à burguesia e abraçar esta lógica, desenvolver as forças produtivas ainda não “maduras” e defender o “progresso” até que se acabe com todo o Planeta! Basta ver o código florestal elaborado e proposto por Aldo Rebelo (PCdoB), aplaudido e apoiado por unanimidade pela bancada ruralista. Além disso, estão também envolvidos em corrupção, como é o caso recente do ministro dos esportes Orlando Silva, que teve de deixar o cargo devido ao envolvimento em suborno com uma das maiores máfias do mundo (FIFA) através das obras da copa, que foi substituído por ninguém menos que Aldo Rebelo. Que ironia! Portanto, o PCdoB, assim como o PT, também está envolvido até o pescoço em corrupção, e de “comunista” e “socialista” este partido e suas ramificações só possuem o nome. Sua direção é oportunista, corrupta e reacionária!
Já o PSOL surgiu através de um grupo de pessoas que faziam parte do PT e que, devido o envolvimento deste em corrupção, optaram por fundar outro com a mesma prática e o mesmo programa. Seus militantes dizem defender o Socialismo e uma política de forma “ética”. Embora ainda não exista nada que comprove o envolvimento deste partido em corrupção e, portando, ainda se mantém dentro dos princípios da ética burguesa, mesmo assim seu programa em nada se difere do programa petista, consistindo em administrar o estado burguês, fazendo concessões aos trabalhadores e pequenos empresários, através de programas assistencialistas e pequenas reformas, além de se utilizarem de entidades e sindicatos como máquinas eleitorais.
O PSTU, que em alguns estados começa a ter como aliado o PCdoB, atualmente faz frente com o PSOL e PCB, é um partido que defende abertamente a necessidade de substituir o modo de produção Capitalista pelo Socialista. Mas, como pretendem fazer isto? A resposta vinda de seus militantes é a seguinte: devemos, primeiramente, tomar o poder político, através da democracia representativa, e em seguida iniciar um projeto de estatização das empresas no sentido de, finalmente, eliminar a exploração sobre os trabalhadores. Porém, vale dizer, que a democracia representativa é um espaço totalmente controlado pela burguesia devido ao domínio dos meios de comunicação, do sistema educacional e pelo fato de efetuarem grandes gastos em campanhas eleitorais. Os trabalhadores não dispõem desses meios e nem de recursos suficientes para participar de uma campanha política e, por isso, estão impossibilitados de tomar o poder político através da democracia representativa. A confusão que este partido faz é de continuar buscando uma saída dentro do Estado burguês e não compreendem que esse Estado, embora propague a ideia de democracia, na verdade, é uma ditadura da burguesia sobre os trabalhadores e, por isso, não se trata apenas de tomar o poder do Estado Burguês para colocá-lo sobre os interesses e fins da classe trabalhadora, a questão não é ocupar a burocracia e a máquina estatal burguesa para transformá-la, mas acima de tudo é fundamental ressaltar que este Estado, corrupto e criminoso, não deve ser mais reconhecido como legítimo, mas precisa ser, antes de tudo, destruído e dissolvido por completo! Precisamos sim dos Conselhos! Serão através destes que os trabalhadores poderão colocar em prática suas decisões.
O antigo PCB, que hoje faz parte da frente de esquerda junto com PSTU e PSOL, também defende abertamente a necessidade do socialismo para resolver os problemas sociais, mas, a exemplo do PSTU, não tem apresentado uma tática convincente de como fazer a transição de um modo de produção para outro. Ultimamente tem falado em conselhos de trabalhadores que, de fato, é a forma e a maneira mais correta para homens livres discutirem como produzir a vida, o que produzir e como distribuir a produção. Entretanto, PCB, PSTU e PSOL são críticos ferrenhos do Voto Nulo e dizem ocupar o reduzido espaço na mídia e no parlamento apenas para denunciar as contrariedades do Capitalismo, mas não explicam, de forma satisfatória, como colocar os meios de produção sobre o controle dos trabalhadores. Perdem-se entre bandeiras “mínimas” e “máximas”, e nunca levantam e se negam a levantar bandeiras transitórias. Por fim, acabam sempre cedendo ao Voto Nulo no 2º turno, e também buscam descaracterizar as organizações independentes, as quais se negam a lhes servirem como “peões de campanha”.
No entanto, só os conselhos ainda não serão suficientes, simplesmente porque a democracia interna nesses conselhos é composta por alguns empresários que se aproveitam da consciência alienada dos trabalhadores que tem o pensamento totalmente condicionado por séculos de dominação burguesa. Por essa razão, torna-se, então, necessário um exercício constante de três elementos fundamentais para uma reflexão com os trabalhadores no interior de suas organizações e dos conselhos, de tal modo a conseguir um avanço na consciência das massas no sentido de compreender a impossibilidade de uma solução para a humanidade dentro das relações atuais de exploração e ao mesmo tempo oferecer a solução para o problema.
Com o avanço da crise capitalista, as demissões em massa, o aumento da jornada de trabalho, os cortes de salários e a inflação acelerada, é necessário defender o DIREITO AO TRABALHO, impedindo as demissões! Lutar contra o desemprego, exigindo TRABALHOS PÚBLICOS! Lutar contra a exploração e as demissões exigindo a REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO DOS SALÁRIOS e contra a inflação exigindo o AUMENTO AUTOMÁTICO DOS SALÁRIOS DE ACORDO COM A ELEVAÇÃO DOS PREÇOS! Entre outras bandeiras de caráter transitório, mas essencialmente estas. Infelizmente, os partidos da chamada “frente de esquerda” não aceitam de forma alguma esses elementos de reflexão e continuam na expectativa de que algum dia possa surgir do meio das massas uma “idéia” e também a oportunidade oferecida pelas próprias circunstâncias que permitam abrir uma possibilidade à tomada do poder pelos trabalhadores.
Por fim, o que existe de comum na maioria dos partidos é um programa que leva cada vez mais a exploração e desigualdade entre as classes. PCB, PSTU e PSOL querem romper com a exploração e eliminar as desigualdades, mas os programas e as táticas apresentadas por estes partidos não são suficientes para tal tarefa, confundem a classe trabalhadora e até mesmo a divide. Por isso, neste momento não há nenhuma proposta ou partido capaz de justificar nosso voto em algum deles.
As forças produtivas da sociedade e as condições econômicas necessárias para uma transformação social já alcançou o mais alto grau de desenvolvimento e estão suficientemente maduras para a emancipação dos trabalhadores e para organização de uma sociedade justa, mas o problema continua sendo, como colocou certa vez o filósofo e revolucionário Leon Trotsky: “A situação política mundial no seu conjunto caracteriza-se, antes de mais nada, pela crise histórica da direção do proletariado”.

