

Por Grupo Movimento
Há muito tempo os estudantes, não apenas do Paraná, mas do Brasil como um todo, se deparam com uma série de dificuldades no interior das universidades. O vestibular, a falta de recursos para se manterem estudando, a falta de restaurantes universitários, de moradia estudantil, os “cursos pagos” nas universidade públicas, o papel autoritário exercido pela burocracia, tudo isso impede que muitos estudantes ingressem e permaneçam na universidade. A burocracia universitária, que mantém e amplia estas dificuldades, coloca a universidade a serviço de poucos, dificulta o acesso e a permanência dos estudantes no ensino superior e bloqueia a organização estudantil e suas entidades, com receio de que elas possam comprometer os interesses particulares daqueles que hoje compõem a casta burocrática da universidade.
NÃO À FARSA DO VESTIBULAR!
O vestibular, por exemplo, bloqueia o ingresso de grande parte dos estudantes na Universidade, permitindo que somente uma pequena camada tenha acesso a esses conhecimentos que o Ensino Superior pode oferecer.
Ao fazermos uma análise deste e outros problemas, podemos apontar algumas injustiças que o vestibular e a forma de organização das universidades representam a muitos estudantes. Percebe-se que, o fato da maioria das pessoas estarem em busca de emprego ou trabalharem o dia todo para garantirem sua sobrevivência, estas acabam por ter um tempo muito pequeno para se dedicar aos estudos como é necessário. Mesmo quando surge um tempo livre, o cansaço provocado pela rotina, pela intensidade e pela opressão no trabalho, impedem que muitos jovens, estudantes e trabalhadores ingressem na universidade. Além do mais, o desgaste físico e psicológico, provocado pelas atuais relações de trabalho e pela constante exploração, impedem que a maioria dos estudantes e trabalhadores possam competir de igual para igual com outros estudantes os quais não necessitam trabalhar para se manter estudando, podendo direcionar toda sua energia para apreender os conteúdos exigidos no vestibular pela universidade. Na verdade, o vestibular nada mais é do que um meio de elitizar o ensino, privando muitos estudantes, trabalhadores e jovens de terem acesso a um ensino superior gratuito.
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NÃO À ENTREGA DO ENSINO À INICIATIVA PRIVADA!
Na tentativa de camuflar o problema e enriquecer cada vez mais a classe empresarial, a maioria dos políticos e a burocracia universitária, que sempre procuram falar em nome da educação, alegam que o problema se resolve aumentando o número de universidades e entregando-as à iniciativa privada. Tais medidas não resolvem e jamais resolverão o problema. Pelo contrário, apenas o aprofundarão. De nada adianta aumentar o número de Universidades e deixar que os trabalhadores continuem submetidos à lógica do lucro e do mercado, em que os patrões buscam a todo o momento aumentar cada vez mais os lucros de suas empresas através do aumento da jornada e da intensidade de trabalho, além de utilizar do desemprego para achatar os salários e manter os trabalhadores em um certo grau de dependência. Todavia, mesmo que se tenha várias Universidades, os estudantes, sob tais condições, não terão como adquirir um ensino de qualidade.
Já nas Universidades Privadas, a qualidade do ensino é prejudicada por outro motivo. Interessada nos lucros adquiridos através das mensalidades, professores são obrigados a aprovarem os alunos que não realizaram as atividades exigidas no decorrer do ano, simplesmente para manter a clientela e dar continuidade aos lucros no ano seguinte. É absolutamente impossível não perceber que a empresa privada no ramo da educação está muito mais interessada no lucro do que na qualidade de ensino. Basta analisar suas grades de ensino e o conteúdo de seus cursos. Assim, depois de se alimentarem das mensalidades, lançam centenas e milhares de indivíduos desqualificados aos sabores do mercado que, incapaz de absorver a todos, continua mantendo milhares de pessoas desempregadas. Paralelamente à isso, a “indústria do concurso” surge para extrair ainda mais lucros e atribuir a culpa aos indivíduos, responsabilizando os mesmos por estarem sem emprego, pois não teriam atingido nota nem ficado entre o número de classificados.
RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO E CASA DO ESTUDANTE. FIM DOS PROBLEMAS?
A falta de infra-estrutura das universidades como, por exemplo, Restaurantes Universitários e Casa do estudante, representa mais um dos vários problemas enfrentados pelos estudantes. Muitas universidades ainda não possuem essa infra-estrutura e grande parte dos alunos abandonam seus cursos pelo fato de que a universidade não oferece a eles o “mínimo necessário” para sua sobrevivência e para manterem seus estudos. Muitos desistem de estudar, outros persistem por algum tempo, mas cedo ou tarde a maioria acaba por deixar a universidade antes de se formar. No entanto, ultimamente, parece que o movimento estudantil não tem conseguido se mobilizar em torno dessas questões ou não consegue aprofundar e avançar nessa discussão. Na Unioeste, por exemplo, de todas as discussões sobre o R.U. e a Casa do Estudante, em nenhum momento se discutiu como estes projetos seriam executados. Da forma como essas bandeiras foram levantadas, tudo indica que o projeto ficaria a cargo da Burocracia universitária, a qual passou a ver no RU e na Casa do Estudante um trampolim para seus negócios e fins eleitoreiros. Certamente, se o R.U, e a Casa do Estudante ficarem a cargo da burocracia, esta executaria esses projetos como todos os outros, contratando construtoras e explorando os trabalhadores. Diante disso, qual seria, então, a maneira de superar esta situação? Deve-se colocar estes projetos sob o controle de um comitê de estudantes, professores e funcionários e buscar apoio e auxílio no curso de Engenharia Civil da própria universidade, evitando que as construtoras paguem propinas a burocratas e políticos, impedindo que se aproveitem das lutas estudantis para explorar ainda mais os trabalhadores. Esta proposta de execução e de encaminhamento do RU e da Casa do Estudante será bloqueada e duramente criticada pelos burocratas e mesmo por setores do movimento estudantil. Mas, os estudantes podem e devem defender a proposta de administração direta, impedindo que a burocracia juntamente com as construtoras se aproveitem da luta dos estudantes para lucrarem com isso.
NÃO AOS “CURSOS PAGOS”!
Hoje, os estudantes da Unioeste se defrontam com um processo camuflado de privatização da principal Universidade Pública da região. Além dos vários cursos de pós-graduação pagos que estão em andamento desde 2009, neste ano, novos curso pagos serão realizados na Unioeste, com organização e apoio de parte de seu grupo docente. Cursos nos quais a mensalidade varia entre R$120 até R$950, como é o caso do curso de especialização na área de Odonto, no campus de Cascavel.
Mas, cursos de pós-graduação “PAGOS” em Universidade Pública? Pode-se pagar para estudar em uma universidade pública? E ainda, quem ganha com isso?........................................................
A cada dia o governo com ajuda de alguns coordenadores e da burocracia acadêmica, são responsáveis por um projeto e processo de privatização das universidades e, o que é pior, é que este “projeto” parece se espalhar por todas as universidades do país, não poupando nem mesmo as universidades públicas.
Hoje os chamados “intelectuais” que dirigem a academia, vendem a universidade e se vendem pelos interesses particulares mais imediatos. Os grandes intelectuais são substituídos por burocratas, carreiristas e oportunistas, todos estes dispostos a abocanhar da universidade parte do lucro privado através de títulos, cargos e “parcerias”. Além disso, o governo conta com um movimento estudantil burocrático e conservador que bloqueia os estudantes, a organização direta contra a burocracia e a repressão.
Paralisados pelas práticas rotineiras de décadas de petismo, todos os setores da UNE e alguns setores da Conlute, hoje ANEL, não fazem nada senão perder tempo reivindicando pequenas “melhorias” na universidade, preferindo os conchavos ao embate. Como cúmplices da burocracia, eles apenas abrem espaço para o avanço da privatização das Universidades Públicas.
Os estudantes não podem ficar olhando a privatização de nossas universidades públicas e não fazer absolutamente nada para reverter este quadro. Precisamos nos organizar para construir uma nova alternativa para as Universidades e para a sociedade. Construir uma alternativa contra este “projeto-privado” de ensino imposto pelo Estado e pelos burocratas!
A LUTA CONTRA A BUROCRACIA DENTRO E FORA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL.
A grande dificuldade de organização do movimento estudantil para a discussão destas questões não reside no fato que “os estudantes não estão dispostos a se envolverem nas lutas estudantis” ou que “não querem discutir os problemas da universidade”, pois poucos estudantes interessados podem muitas vezes produzir ações que valem por muitos e ainda assim defenderem o interesse e a vontade geral. Na verdade, a principal causa da “desorganização do movimento estudantil” é a sua própria direção, que ainda se encontra atrelada a setores da UNE e a outras entidades estudantis na qual não são mais do que braços de partidos, supostamente ditos de esquerda, que buscam fazer do movimento estudantil apenas um espaço para fins eleitoreiros. Estes partidos, assim como a burocracia universitária, buscam encontrar no meio estudantil os estudantes mais capazes e que estejam dispostos a ajudarem os burocratas a implantar goela baixo seus planos e “projetos” para a universidade. Para cooptarem os estudantes mais ativos e colocá-los sob seu comando, os burocratas utilizam-se de promessas de bolsas de estudo, de mestrado e mesmo cargos de chefia no interior da universidade. É assim, através da corrupção direta e indireta, que os principais burocratas da universidade formam o seu exército de mercenários, estes sempre dispostos a bloquearem o movimento estudantil combativo, quase que totalmente, em troca de uma “espiga de milho”, ou melhor, em troca de bolsas de estudo e mestrado. Mas, como fazer para romper com esse bloqueio?
A ORGANIZAÇÃO DIRETA E INDEPENDENTE DOS ESTUDANTES. OS COMITÊS, OS CONSELHOS E AS ASSEMBLÉIAS.
A única maneira de superar esta situação é a organização direta dos estudantes, professores e funcionários em geral. Através de comitês e conselhos independentes os estudantes e os trabalhadores podem levar adiante suas bandeiras de luta, influenciando de forma decisiva nas Assembléias e nos demais órgãos deliberativos da universidade. A construção do Restaurante Universitário, da Casa do Estudante, o fim das mensalidades nos cursos de especialização, tudo isso pode e deve ser discutido e administrado de forma direta e independente. Os estudantes em parceria com os professores e funcionários verdadeiramente comprometidos com a educação e o ensino podem e devem dar um novo rumo à Universidade. Para isso é preciso, antes de mais nada, romper com a atual forma de organização da Universidade, com a burocracia universitária e, principalmente, com os estudantes e professores a serviço dela.
É óbvio que os burocratas, ao perceberem que os estudantes não estão sob seu controle, irão sentir-se ameaçados e tentarão de todas as maneiras descaracterizar e ridicularizar aqueles que se recusam a se ajoelhar aos seus pés. Mas os estudantes não podem se deixar levar pelas calúnias e pelas ações desesperadas que os burocratas irão tomar. Pelo contrário. Os estudantes devem continuar insistindo, pois, somente uma organização direta e independente, ou seja, somente os Comitês e Conselhos estudantis, os quais devem representar a expressão máxima da independência e da autonomia estudantil, podem permitir uma verdadeira mudança no interior da universidade e mesmo fora dela.
ABAIXO À BUROCRACIA UNIVERSITÁRIA!
PELA ORGANIZAÇÃO DIRETA E INDEPENDENTE DOS ESTUDANTES!
CONSTRUIR OS COMITÊS E CONSELHOS ESTUDANTIS!
LUTAR POR UMA NOVA UNIVERSIDADE, POR UM NOVO MOVIMENTO ESTUDANTIL E POR UM NOVO FUTURO!
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