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Por Grupo Movimento


Os professores, ultimamente, andam insatisfeitos e preocupados tanto com a indisciplina como com a falta de interesse por parte dos alunos. Por isso, é importante uma discussão e reflexão sobre esse tema na tentativa de descobrir a possível origem desses problemas e, a partir daí, pensarmos em uma ação para a solução dos mesmos. É com essa preocupação que procuramos analisar a redação de uma aluna sobre o seu dia-adia, retirando do texto aquilo que está implícito e a partir destas revelações, quem sabe, encontrarmos a gênese do problema e propor soluções.

Este é um texto escrito por Elizete Marques, uma aluna do EJA, quando a professora solicitou que os alunos fizessem uma redação e nela descrevessem seu dia-a-dia. A redação desta aluna, de 36 anos, chamou a atenção da professora pois não só expressa sua angústia, mas também a insatisfação da maioria dos alunos do EJA, que também levam uma vida semelhante à da Elizete. Vejamos o que ela escreve:

26/04/2010

O meu dia de trabalho começa assim: Eu levanto duas e meia da madrugada e saio de casa às três e meia da madrugada e começo a trabalhar às cinco e vinte da manhã e chego em casa às cinco horas da tarde.

Eu me sinto muito cansada por ser longe de casa, também sinto dores nas pernas e nos pés por ficar em pé o dia inteiro. Eu acho errado ganhar o tanto que eu ganho, me sinto explorada e não gosto de trabalhar lá naquela empresa porque é muito frio, mas fazer o que, não tem outro emprego aqui em Lindoeste, tem que trabalhá lá mesmo.

Eu espero que um dia possa voltar a trabalhar em Lindoeste de novo porque eu não sei até quanto tempo vou agüentar trabalhar lá em Cascavel.

Elizete Marques, 36 anos.


Em seu texto, Elizete diz que: acorda às 2:30h e retorna às 17h, perfazendo aí uma jornada de trabalho de 14h, mas esta redação foi escrita na própria sala de aula e isto quer dizer que das 17h até às 19h deve ser o tempo que ela dispõe para algumas atividades domésticas, e das 19h até às 23h deverá permanecer em sala de aula para poder cursar o EJA, perfazendo então uma jornada de trabalho de aproximadamente 20h.

O tempo que ela permanece em sala de aula também deve ser incluído na jornada de trabalho uma vez que a educação, nos dias atuais, é considerada como algo obrigatório por parte dos empregadores. No entanto, a educação tem sido mais um mecanismo para moldar o trabalhador dentro de uma lógica que achata salário, aumenta a jornada de trabalho e ao mesmo tempo torna o trabalhador dócil à classe que o oprime, a burguesia. Diante disso, é plausível, e porque não dizer necessário, incluir as horas utilizadas em educação na jornada de trabalho.

Mas, o estudante tem necessidade de tempo para tomar contato com o conhecimento, tempo para reflexão e tempo para concatenar as idéias no sentido de estabelecer uma relação entre o conteúdo trabalhado em sala de aula e a prática do dia-a-dia. Os filhos da classe patronal dispõem de todo esse tempo a seu favor, enquanto um trabalhador(a) como Elizete, por exemplo, com uma jornada de 20h de trabalho, jamais terá o tempo de reflexão suficiente para absorver os conteúdos trabalhados e estabelecer essas relações.

Além de tudo isso, também se discute muito a qualidade das construções e das instalações de um modo geral. Porém, uma escola com as instalações de boa qualidade é importante, mas não significa que isto seja sinônimo de escola de qualidade. É necessário de um tempo livre tanto para os alunos como também para os professores poderem preparar bem suas aulas, preparar e corrigir os trabalhos, além de um tempo para estarem se atualizando constantemente. Por isso, lutar pela qualidade no ensino é lutar pela redução da jornada de trabalho em todas as instâncias, seja no setor público ou privado. A redução da jornada além de contribuir para a qualidade na educação resolverá também problemas como as demissões e o desemprego. Ou seja, com todas as novas invenções, os novos progressos técnicos, com o desenvolvimento tecnológico crescente, é possível aumentar a maquinaria moderna dentro da empresa e reduzir a jornada de trabalho de seus funcionários sem diminuir a produção e sem demitir os trabalhadores.

Se nada for feito e esta lógica de produção continuar, não só a desigualdade continuará aumentando como a falta de interesse dos alunos pelos estudos e mesmo a indisciplina também terão índices de aumentos. Dentro desta lógica, o sistema educacional se tornará cada vez mais desqualificado uma vez que este modo de produção cria uma consciência alienada, tanto por parte da classe dominante, que continuará decidindo por um modelo que leva a sociedade inteira rumo à barbárie, como também produz por parte do trabalhador tanto a mediocridade como também a ignorância.

O verdadeiro sentido da Educação, que na concepção dos gregos, por exemplo, deveria ser compreendido como um exercício voltado para o desenvolvimento racional e para o conhecimento, assim como para a formação de virtudes e da humanização de um modo geral, evapora-se frente a lógica que se apresenta. Quando a educação resgatar esse princípio, as Escolas retomariam, assim, seu significado inicial, a do “
Lazer”. Ou seja, ela deixará de ser algo enfadonho para se tornar prazeroso tanto para os professores como para os alunos. Assim, estes, provavelmente, ficarão satisfeitos por entenderem que a prática aliada à atividade intelectual é uma virtude que contribui para a felicidade do homem.

Para caminhar nesse rumo o Grupo Movimento propõe:

Para os alunos que precisam trabalhar e estudar: Redução da jornada de trabalho sem redução do salário!

Para melhorar a qualidade de ensino: máximo de 20 (vinte) alunos por sala!

Contra as demissões de professores: redução da jornada de trabalho sem redução de salário!

Para os alunos com defasagem no aprendizado e para os professores que atingiram a média no concurso e não foram chamados: O contra-turno!


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