
Por Jarbas Martins
Apesar deste documento estar sendo publicado dias depois do 1º de maio, apresentamos a seguir um esclarecimento a pedido de alguns trabalhadores sobre o verdadeiro significado da data. Lembramos aqui que o Grupo Movimento de Cascavel esteve na porta da Coopavel – fábrica de alimentos, frigorífico de aves e suínos –, um dia antes do 1º de maio para lembrar aos operários sobre o significado da data. Além da Coopavel, panfletagens foram feitas no calçadão da cidade e em passeata dos professores da rede municipal de ensino, que dias antes foram as ruas para reivindicar seu reajuste salarial.
Para iniciarmos o nosso diálogo, façamos um retorno no ano de 1886. O 1º de maio é um dia de luta dos trabalhadores. Nessa data, em 1886, uma grande greve operária em Chicago (EUA) pela jornada de oito horas de trabalho foi duramente reprimida pela polícia. Quatro de seus dirigentes foram julgados e condenados à morte, mas a luta continuou. Três anos depois, o congresso dos trabalhadores, que fundou a Segunda Internacional dos trabalhadores, recomendou que celebrasse a data como um dia de luta em todo o mundo. No ano seguinte, conseguiu-se a vitória das oito horas nos EUA. Esta é a mensagem de nossa história: só com luta podemos mudar nossas vidas.
Desse modo, o discurso que mais se houve entre nós trabalhadores, quando se fala de condições de vida, é de que esta está cada dia mais difícil. Desemprego, miséria e perspectiva de vida são para nós, trabalhadores assuntos cotidianos que nos assombram, nos deixam acuados e com receio de agirmos, porque os patrões, os donos fábricas, estão prontos com ameaças de demissão, nos intimidando e tentando nos convencer com a seguinte frase: “o que vai fazer? é assim mesmo”. Essa frase se cristaliza em nosso pensamento, como um antídoto, para amenizar a carga sufocante, que todos nós trabalhadores sofremos dia-a-dia quando temos que colocar comida na mesa para satisfazer as nossas necessidades de sobrevivência diária. Enfim chegamos novamente a uma data que se tornou no decorrer dos anos, pela maioria dos sindicatos, associações de trabalhadores, etc. motivo de “comemoração” e “festa”. Será que nós trabalhadores, por aquilo que vivemos todos os dias com receio do desemprego, da miserabilidade, dos filhos que temos que alimentar, temos motivos para comemorar? Não temos nenhum motivo para comemorarmos. Temos sim é que refletirmos, sobre a nossa própria condição de trabalhadores. Portanto, nós não temos motivos para comemorar o dia 1º de maio.
E para entendermos um pouco, porque devemos lutar e porque ficamos revoltados com tanta injustiça, reflitamos juntos a sociedade em que vivemos.
Na sociedade capitalista, existem muitas desigualdades, basta olharmos a nossa volta. Uma minoria de pessoas concentra grande quantidade de bens ou mercadorias em seu poder: dinheiro, propriedades, mansões, carros, muita fartura e luxo. Por outro lado, a maioria das pessoas tem apenas o mínimo, e às vezes menos que o mínimo, para sobreviver. Vivemos apertados em matéria de alimentação, casa, roupa, transporte, escola, saúde, lazer, etc. Vemos também tantas conseqüências trágicas desta sociedade: subnutrição, mortalidade infantil, doenças endêmicas, menores e idosos abandonados, desemprego, prostituição, analfabetismo, criminalidade, acidentes de trabalho, favelas. Desse modo, temos duas classes que constituem a sociedade capitalista, de um lado os donos das fábricas, e do outro os trabalhadores. De um lado os que desfrutam das mercadorias, da riqueza, os ricos, e, do outro lado, nós trabalhadores que produzimos a riqueza, as mercadorias, mas apenas consumimos as mercadorias necessárias para a nossa sobrevivência, e às vezes nem mesmo isso. Vejamos o que dizem dois filósofos que lutaram e organizaram os trabalhadores do século XIX, Karl Marx e Friedrich Engels: “depois de sofrer a exploração do fabricante e de receber seu salário em dinheiro, o operário torna-se presa de outros membros da sociedade capitalista, do proprietário do supermercado, do varejista, do comerciante.”. Portanto como disseram acima os filósofos, nós trabalhadores somos explorados duplamente, primeiro pelos patrões, os donos das fábricas, depois pelos outros ricos, os donos do comércio. Assim o único modo de reverter essa dupla exploração em que a classe trabalhadora se encontra é a ORGANIZAÇÃO E A LUTA. LUTA QUE É DIÁRIA, É PERMANENTE, NÃO SOMENTE NO DIA 1º DE MAIO, MAS TODOS OS DIAS.
Todos nós sabemos que as grandes conquistas do passado e presente foram e serão sempre através da organização e de muita luta, como greves, paralisações, e outras ações que desembocaram em conquistas para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Portanto neste 1° de maio devemos refletir sobre a crise da sociedade capitalista, e as condições em que nós, a classe trabalhadora se encontra, porque em hipótese alguma os trabalhadores não devem aceitar mais sacrifícios, não devemos nos iludir com as festas e shows que os sindicatos, aliados dos patrões promovem, dando de presente as próprias mercadorias que nós trabalhadores produzimos, porque nos outros 364 dias do ano esses mesmos sindicatos esquecem dos trabalhadores, deixando-nos a própria sorte, sob pena de degenerar, a transformação de uma parte crescente dos operários em desempregados crônicos, em miseráveis vivendo das migalhas de uma sociedade em decomposição. O DIREITO AO TRABALHO é o único direito sério que o operário tem numa sociedade fundada sobre a exploração. Entretanto, este direito lhe é tirado a cada instante. Portanto devemos levantar as palavras de ardem: CONTRA O DESEMPREGO, é tempo de pedirmos FRENTES PÚBLICAS DE TRABALHO, a da ESCALA MÓVEL DAS HORAS DE TRABALHOS, ou seja, os sindicatos e as outras organizações de massa devem unir aqueles que têm trabalho àqueles que não o têm através dos MÚTUOS COMPROMISSOS DE SOLIDARIEDADE. Assim o trabalho disponível deve ser repartido entre todos os operários existentes, e essa repartição deve determinar a duração da semana de trabalho. O salário médio de cada operário continua o mesmo da antiga semana de trabalho. O SALÁRIO DEVE AUMENTAR DE ACORDO COM A ELEVAÇÃO DOS PREÇOS. Desse modo nós trabalhadores podemos assegurar a nossa sobrevivência e a partir desse momento nos organizar e nos fortalecermos para lutar por uma sociedade mais justa e democrática, como o fizeram os trabalhadores, que lutaram no 1º de maio de 1886.
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