
Editorial
Todos os anos milhões de jovens saem das escolas “prontos” para o mercado de trabalho - ou seja, exploração e desemprego. Nas universidades, os bancos, as grandes empresas, os homens do agronegócio lucram milhões usando o ensino e a pesquisa para seus interesses privados. Os diretores, reitores e burocratas que falam em nome do “bom funcionamento” da universidade, são os mesmos que se utilizam da estrutura pública para interesses particulares, organizam cursos pagos e “códigos de disciplina acadêmica”. Todos os cursos, todos os laboratórios, departamentos e disciplinas são dirigidos para um único fim: colocar a universidades a serviço do Capital e dos Burocratas! Cansados com a burocracia universitária, com a rotina e a falta de perspectiva, os estudantes da Unioeste se movimentam! Na base da mais ampla democracia os estudantes podem e devem se organizar. A re-fundação e re-organização do Diretório Central dos Estudantes da Unioeste campus de Toledo é o primeiro passo neste sentido. Assim sendo, acadêmicos de vários cursos da Unioeste se movimentam, fazem reuniões, discutem a universidade e se organizam contra a burocracia e contra a privatização de nossas universidades públicas. É chegada a hora dos estudantes mostrarem que não são apenas “ouvintes” e cumpridores de tarefas de um pequeno grupo de Burocratas; é chegada a hora dos estudantes mostrarem que podem e devem ser uma força dirigente dentro das universidades.
A BUROCRACIA UNIVERSITÁRIA
Mas afinal de contas, o que é Burocracia?
A burocracia não é apenas um amontoado de papeis e normas que atrasam nossas vidas ou um agregado de maus hábitos dos funcionários de escritório. O Burocratismo é um fenômeno social que se define como um sistema de administração de homens e coisas.
O aparelho estatal é o tipo mais importante do burocratismo. Com uma das mãos, absorve os elementos mais ativos da sociedade e ensina aos mais capazes o método de administrar homens e coisas. Com a outra mão, ocupa largamente e em primeiro lugar a atenção do aparelho do estado sobre a qual exerce influência através de seus métodos administrativos. A burocracia usufrui de seus privilégios sob a forma de um abuso de poder. Ela esconde sua regalias e as justifica apresentando-se como detentora de “funções especiais”. Ela está totalmente satisfeita com a situação existente.
A burocracia universitária, com sua função intermediária e reguladora, sua preocupação com a sustentação social de seus “intelectuais” e sua exploração do aparelho estatal para objetivos pessoais, assemelha-se a qualquer outra burocracia, especialmente a fascista.
Neste sentido, por entender ser este “fenômeno social” o principal responsável pela falência de nossas universidades e demais instituições de ensino, é que a luta dos estudantes contra a Burocracia e seus agentes – os burocratas – representa a luta contra a opressão, contra o fascismo, dentro e fora das universidades.
O “REGIME DISCIPLINAR” DA UNIOESTE
Com a exclusão de todos os representantes estudantis do Conselho Universitário, o COU, e sem nenhuma discussão com a comunidade acadêmica, a burocracia universitária aprovou no dia 2 de julho de 2008 o Código Disciplinar da Unioeste, o qual se resume basicamente em manter a “ordem, o respeito e a disciplina para que os fins da instituição sejam plena e eficientemente alcançados”.
No Cap. I, das Disposições Gerais, art. 3º lê-se: “Constitui infração disciplinar toda ação ou omissão dos servidores docentes, agentes universitários e discentes capaz de prejudicar a disciplina, a eficiência do trabalho e das atividades acadêmicas ou causar danos ao patrimônio moral e material da Universidade”. Estaria o código se referindo ao vandalismo? ou a Greve e manifestações estudantis?
Ainda, no código disciplinar acadêmico, pode-se ler no Cap. II, dos Deveres e Obrigações, art. 10. “São condutas vedadas aos membros da comunidade acadêmica. II – Falta de obediência aos superiores hierárquicos”.Ora, o que o Código quer dizer com isso? Que professores, funcionarios e estudantes são obrigados a obedecer “os superiores hierárquicos” sem nenhum questionamento?
Enfim, o Código é formado por normas que variam de acordo com o momento e com os interesses da burocracia acadêmica.
(Legenda cartaz: “Somente os jovens tagarelas”)
O CERCEAMENTO DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS ESTUDANTIS
A exclusão da representação estudantil no Conselho Universitário, o Código Disciplinar, a implantação de cursos de pós-graduação pagos, tudo isso nos revela o “projeto” que a burocracia universitária tem em mente para a universidade.
Para garantir a normalidade acadêmica e a implantação tranquila desse projeto, a universidade assume um papel cada vez mais autoritário. Para garantir a transformação da universidade em um “shopping-center do saber”, a burocracia suprime direitos mínimos dos estudantes, como festas, reuniões e manifestações, e mesmo a entrada no campus será rigorosamente controlada por câmeras.Como se não bastasse a implantação arbitrária de tal “projeto”, a burocracia planta o medo em nossas mentes e ameaça dar 'remédios amargos' a aqueles que se opuserem a ela, prevendo a exclusão de todos os envolvidos em qualquer ação que “cause perturbações às atividades acadêmicas”. Assim, realizar qualquer manifestação cultural ou protesto que mostre a insatisfação com a realidade que nos cerca pode ser respondida pelos burocratas com: corte de bolsas de estudos, exclusão de projetos de mestrado, perseguições, ameaças e expulsão!
(Legenda cartaz: “Uma juventude com o futuro demasiado preocupante”)
Mas, de fato, a exclusão da representação estudantil do Conselho Universitário representa o fim da gestão democrática na universidade e o caminho livre para a burocracia acadêmia aprovar e legitimar seus interesses. Tal fato, implica em profundas consequências à universidade e, em especial, aos estudantes e a sociedade.
OS “CURSOS PAGOS”
Os estudantes da Unioeste se defrontam com um processo camuflado de privatização da principal Universidade Pública da região. Além dos 15 cursos de pós-graduação pagos que estão em andamento desde 2008, neste ano, novos curso pagos serão realizados na Unioeste, com organização e apoio de parte de seu grupo docente. Cursos nos quais a mensalidade varia entre R$120 reais, como é o caso do curso de História Econômica na Unioeste campus de Toledo, até R$950,00, como o curso de especialização em Periodontia no campus de Cascavel.
Mas, cursos de pós-graduação “PAGOS” em Universidade Pública? Isto existe? Pode-se pagar para estudar em uma universidade pública? E ainda, quem ganha com isso?A cada dia, o governo, com ajuda de alguns coordenadores e da burocracia acadêmica, são responsáveis por um projeto e processo de privatização das universidades. E o que é pior, infelizmente, é que este “projeto” parece se espalhar por todas as universidades do país, não poupando nem mesmo as universidades públicas.
Hoje os chamados intelectuais que dirigem a academia, vendem a universidade e se vendem pelos interesses particulares mais imediatos. Os grandes intelectuais são substituídos por burocratas, carreiristas e oportunistas, todos estes dispostos a abocanhar da universidade parte do lucro privado através de títulos, cargos e “parcerias”.Além disso, o governo conta com um movimento estudantil burocrático e conservador que bloqueia os estudantes, a organização direta contra a burocracia e a repressão.
Paralisados pelas práticas rotineiras de décadas de petismo, todos os setores da UNE e alguns setores da Conlute não fazem nada senão perder tempo reivindicando pequenas “melhorias” na universidade, preferindo os conchavos ao embate. Como cúmplices da burocracia, eles apenas abrem espaço para o avanço da privatização dentro da Universidade Pública.Os estudantes não podem ficar olhando a privatização da universidade pública e não fazer nada contra ela!
Precisamos nos organizar para construir uma nova alternativa para as Universidades e para a sociedade. Construir uma alternativa contra este “projeto-privado” imposto pelo Estado e pelos burocratas!
COMO FUNCIONA O MOVIMENTO ESTUDANTIL:
CA – CENTRO ACADÊMICOS
Os chamados CA´s são os órgãos de representação estudantil de cada curso. É o canal mais próximo ao estudante de cada sala de aula.
O CA deve ser um espaço democrático, de vivência e de referência para os estudantes do curso. Assim como o DCE, pode organizar atividades acadêmicas (palestras e seminários, festas, confraternizações, a calourada, festivais de arte e cultura, atividades esportivas, entre outros).
Cabe ao CA realizar discussões com os estudantes de seu respectivo curso para encontrar soluções para os problemas enfrentados, seja na relação com os professores, temas vinculados aos conteúdos e currículos dos cursos, ou mesmo questões administrativas. O CA deve ser um fiscalizador das atividades da instituição, lutar contra as ações que firam o direito dos estudantes. Nas universidades públicas, deve, junto com o D.C.E., observar as formas de aplicação dos recursos e a transparência na gestão da instituição lutando contra o sucateamento da universidade, como também garantir que haja representação discente nos departamentos e colegiados da universidade.
Com Centros Acadêmicos fortes e atuantes na universidade é que poderemos construir um movimento estudantil forte e combativo.
D.C.E. – DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES:
O Diretório Central dos Estudantes, mais conhecido pela sua sigla D.C.E., é a entidade máxima de representação e organização dos estudantes de uma universidade.
Tem como objetivo representar e defender os interesses dos estudantes, dentro e fora da universidade, é o espaço onde todos os estudantes e centros acadêmicos podem discutir e organizar o movimento estudantil.
A Unioeste do campus de Toledo não possui DCE. Sua antiga gestão, dirigida pela UNE – ou melhor, pelo PC do B e pelo PT – desapareceu, e junto com ela o dinheiro dos estudantes! Infelizmente, devido a falta de uma direção estudantil combativa, o DCE se esfacelou. Hoje, alguns poucos cursos possuem seus Centros Acadêmicos mas sem muita representatividade no movimento estudantil.
Porém, os estudantes pretendem mudar este quadro. A re-fundação e re-organização do D.C.E. da Unioeste de Toledo, é pauta da Assembléia Geral dos Estudantes no dia 08 de maio.
ASSEMBLÉIA GERAL DOS ESTUDANTES:
É a instância máxima de decisão estudantil. Nesse espaço, todo e qualquer aluno tem direito a voz e voto. É um espaço democrático que permite a participação dos estudantes nas discussões e decisões de seu interesse. Ela pode ser convocada pelo D.C.E. Ou ainda ser convocada novamente pela própria assembléia.
A REPRESENTAÇÃO DISCENTE NOS ORGÃOS DELIBERATIVA
A UNIOESTE se organiza através de vários Conselhos dotados de capacidade deliberativa. Seus membros, representantes de todos os setores da Universidade (desde os professores, funcionários e até estudantes) participam das decisões encaminhadas nesses órgãos e desse modo representam toda a comunidade da nossa Universidade. Por isso, é importante que saibamos sobre sua composição, quem nele nos representa e quais as suas funções, além disso, é importante ressaltar que as reuniões desses conselhos são públicas, portanto, todos os interessados podem e devem participar como ouvintes e membros da Universidade.
COU – CONSELHO UNIVERSITÁRIO
O Conselho Universitário é o órgão deliberativo e normativo máximo da Universidade, em
matéria administrativa e de política universitária. Ao Conselho Universitário compete definir as linhas gerais do desenvolvimento da universidade e traçar sua política. É no COU que se dá as principais decisões sobre os rumos a serem tomados na universidade. A exclusão da representação discente e o burocratismo reinante neste orgão representa o autoritarismo do ensino e a falência da UNIOESTE.
Além do COU, existe também CEPE - Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão; o Conselho de Campus; Conselho de Centro; e o Colegiado de Curso. Os estudantes devem fazer-se representar em todos estes orgãos, fazendo valer o interesse comum da maioria dos estudantes.
UNE – UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES
A UNE cumpriu um papel protagonista em diversos momentos da história do país. Infelizmente, hoje, a entidade que é dirigida em sua maioria pelo PC do B, partido aliado do governo, tem se tornado um braço de Lula dentro do movimento estudantil. Seu papel não é mais o de representar os estudantes, mas legitimar os projetos do governo para a educação e bloquear o movimento estudantil combativo.
CONLUTE – COORDENAÇÃO NACIONAL DE LUTA DOS ESTUDANTES
A Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes – CONLUTE, é uma organização constituída em sua maioria por membros do PSTU. Tem como sua principal bandeira de luta combater a reforma universitária de lula e apresentar outras propostas que se limitam apenas a pedir mais verbas para a educação. Tal programa se mantém nos limites da normalidade institucional e não há nenhuma reflexão sobre o esgotamento da universidade e sua forma de organização.
POR UM NOVO MOVIMENTO ESTUDANTIL E POR UMA NOVA UNIVERSIDADE!
Não é permanecendo de joelhos perante o aparelho burgues do estado que resolveremos os problemas da universidade. O que nós queremos de fato é participar das decisões através dos comitês e conselhos, decidindo de acordo com o interesse dos estudantes o que fazer com os recursos que são destinados à universidade.
Uma universidade financiada com recursos públicos, ou seja, com impostos pagos pelos trabalhadores, deve estar a serviço dos trabalhadores! E não a serviço de alguns poucos burocratas, carreiristas e oportunistas.
É necessário, mais do que nunca, a construção de um novo movimento estudantil, de uma nova universidade.
ABAIXO O BUROCRATISMO E O CARREIRISMO!
PELA ORGANIZAÇÃO DIRETA DOS ESTUDANTES E TRABALHADORES DA UNIOESTE!
LUTAR POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA E POPULAR!
LUTAR POR UM NOVO FUTURO!
Comitê em Defesa das Liberdades Democráticas – Grupo Movimento/PR e Movimento Estudantil da Unioeste Contra a Burocracia e Em Defesa da Universidade Pública.

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