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POLÍCIA MILITAR OCUPA A UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), PRENDE E REPRIME FUNCIONÁRIOS E ESTUDANTES.


O vídeo a cima apresenta imagens do momento em que a Polícia Militar avança sobre estudantes e funcionários da USP.


Por Carlos Vieira

O conflito entre a PM e os estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo, a USP, foi matéria de capa do Jornal Folha de São Paulo que, apesar de dar destaque aos acontecimentos ocorridos esta semana no interior da universidade, e de “condenar a repressão policial”, atua como toda a imprensa burguesa nacional, buscando em vários momentos desmoralizar funcionários e estudantes.

Em greve a mais de 50 dias, por reajuste salarial e contra a presença da PM no campus da universidade, funcionários e estudantes da USP foram reprimidos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo com bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha, spray de pimenta e cassetetes. Como resposta, alguns manifestantes revidaram com pedras e xingamentos. Após o bombardeio, 10 pessoas ficaram feridas e 3 pessoas foram presas. O conflito durou por aproximadamente 80 minutos. O motivo da repressão? Palavras de ordem que diziam “Fora PM!”; “Polícia não! Abaixo a Repressão!”, além da greve dos funcionários e servidores. Entretanto, como bem disse em assembléia uma dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da USP, “Tudo o que mais de 50 dias de greve não conseguiram em termos de mobilização, ela – a reitora Suely Vilela – criou com esse gesto tresloucado de chamar a polícia e deixá-la agir como se enfrentasse soldados do tráfico.”

No entanto, apesar do ataque da PM, que transformou a cidade universitária em um verdadeiro “campo de guerra”, as manifestações devem continuar, e dessa vez, mais organizadas e com mais força. Após o confronto, os professores fizeram sua maior assembléia desde o início da greve. Porém, não foi a discussão sobre o piso salarial, ou sobre o projeto de implantação do ensino a distância, ou ainda sobre o plano de carreira docente – os temas até então em pauta -, que dominou os discursos. “Tudo isso ficou menor. Agora, a prioridade é enfrentar a opressão, o autoritarismo, a autocracia, a tirania imoral dessa reitora incapaz de conviver com manifestações democráticas” disse um docente na Assembléia. Alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU) e da Universidade de Campinas (UNICAMP) também aderiram ao movimento pela saída da PM da USP.

Já o governador do Estado de São Paulo José Serra (PSDB), ex-presidente da União Nacional dos Estudantes(UNE), afirma que “a PM não exagerou no confronto”. Segundo Serra “A Polícia não cometeu nenhum exagero e obedeceu a uma ordem judicial. A Reitora – Suely Vilela – pediu, e o juiz determinou que a PM entrasse para assegurar o livre ingresso e saída da Universidade”, disse o governador, ao deixar reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede provisória do governo. Procurada por vários repórteres, a reitora da USP, Suely Vilela, não concedeu entrevista.

O confronto ocorrido esta semana no interior do campus Butantã da USP (zona oeste) revelam o caráter ditatorial do ensino e a falência de uma das principais universidades do país. Quando não é a perseguição e os bloqueios da burocracia acadêmica, é a violência militar. Quando uma Universidade ou qualquer instituição necessita de se manter funcionando a partir da violência militar e de prisões, que nome podemos dar a isso senão Ditadura?

Mas, o que de fato está por trás destes acontecimentos?
As constantes crises do capitalismo mundial e de suas instituições burguesas, que lutam desesperadamente para manterem a exploração sobre a maioria da população e o luxo e privilégio de alguns poucos indivíduos, representam a falência de um sistema que só pode se manter através da violência. A violência nas periferia das cidades, no interior das famílias como no interior das escolas e universidades, são manifestações da putrefação deste sistema velho e caduco. Somente a união entre os trabalhadores e a juventude em todo Brasil e do mundo podem impedir o avanço da barbárie capitalista. É necessário, mais do que nunca, a construção de um novo futuro.

Assim, estudantes e trabalhadores do Estado do Paraná, em solidariedade aos funcionários e estudantes da USP, demonstram todo o seu apoio:

ABAIXO À DITADURA! ABAIXO À REPRESSÃO!
FORA PM e SUELY VILELA DA UNIVERSIDADE!
TODO O APOIO AOS ESTUDANTES, PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS DA USP!


OCUPAR AS RUAS E LUTAR POR UM NOVO FUTURO!

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