
Por Aroldo Andrade e Carlos Vieira
O desemprego tem arruinado constantemente a vida de milhares de trabalhadores, porém, ultimamente ele tem assumido proporções tais que nos leva a perguntar, até quando suportaremos esse tipo de tragédia? Diante disso, faz-se necessário uma discussão sobre as crises, a organização da sociedade, e colocar em debate os caminhos que cada um de nós entende ser a melhor saída.
CRISE MUNDIAL E A FALÊNCIA DO CAPITALISMO
Atualmente a crise econômica mundial se transformou em uma profunda crise social. Com a continua recessão, entre 30 milhões e 51 milhões de pessoas perderão seus empregos até o final do ano, em comparação aos números do final de 2007. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que publicou sua nova estimativa de desemprego no mundo. Segundo a OIT a alta no número de desempregados é o maior desde que a ONU iniciou seu registro da situação dos trabalhadores no mundo, em 1991. Na melhor das hipóteses, a alta de desempregos seria de 18 milhões de pessoas por causa da crise. Mas a projeção já foi abandonada, já que se baseava em um crescimento do PIB mundial de 2,2% em 2009. Até mesmo o FMI já admite que a recessão será mundial. Mas, qual a origem desta crise? como superá-la?
O modo de produção capitalista, que possui como única e exclusiva finalidade o lucro, gera no interior de si e da sociedade uma contradição que adquire um papel avassalador sobre a vida de milhares de pessoas. Para aumentarem seus lucros, empresários dos mais variados ramos buscam aumentar a produção de suas mercadorias e, ao mesmo tempo, a sua circulação. No entanto, para que esta circulação de mercadorias aconteça faz-se necessário produzir essas mercadorias com o valor mais baixo possível para poder enfrentar a concorrência do mercado. Ou seja, aquele “empreendedor” que não for suficientemente competitivo fatalmente verá sua empresa entrar num processo de degeneração e em pouco tempo desaparecerá do mercado.
Porém, para aumentar a produção e baixar o valor das mercadorias os donos dos meios de produção – que correspondem a 1% da população mundial – lançam mão dos seguintes recursos: aumento da jornada de trabalho, intensificação do trabalho, redução dos salários e, principalmente, investimento em tecnologia para produzir mais mercadorias em menos tempo e assim baixar o valor dos produtos. Entretanto, dentro da atual lógica deste modo de produção, a medida em que a tecnologia se desenvolve, surgem novas máquinas que vão constantemente substituindo grande parte dos trabalhadores, os quais são demitidos simplesmente pela razão de que nenhum empresário terá o interesse de manter esses funcionários ociosos na sua empresa.
Com isso, sem emprego e sem salários, essa massa de desempregados ficará impedida de consumir as mercadorias que saem em grandes quantidades e a todo o momento das fábricas. Assim, temos, então, de um lado, os capitalistas, com seus estoques abarrotados de mercadorias, buscando desfazer-se das mesmas para realizar seu lucro, e, de outro lado, massas de pessoas sem emprego e sem salários, impedidas de consumir tais mercadorias.
Dentro desse quadro, o modo de produção capitalista entra em colapso. Surge, nesse momento, duas possibilidades para resolver o problema: Uma saída é o rompimento definitivo dessas relações de produção, que só será possível de ser realizada pelos trabalhadores empregados e desempregados que não tem nada a perder, mas, só a ganhar. Uma segunda saída, a mais tradicional, é essa dirigida pela burguesia, que não se importa com os milhões e milhões de desempregados famintos no mundo inteiro, mas apenas em aumentar seus lucros. Ou seja, esta última age sempre no sentido de destruir grande parte das forças produtivas até atingir um nível de destruição suficiente para que, novamente sobre as relações capitalistas de prodição, possa surgir uma possibilidade de crescimento, continuando, assim, com sua politica de exploração sobre os trabalhadores, mantendo os mesmo com um salário nos limites de sua sobrevivência. Deste modo, ela, a burguesia, tem sob seu controle o gerenciamento de capitais para aplicá-los somente naquilo que possa reverter em mais e mais lucro até que desemboque novamente em outra crise que inexoravelmente levará a mais guerras, desemprego, fome, miséria e assim por diante, e em níveis cada vez mais avassaladores. Não só a humanidade como também o planeta estão ameaçados.
Diante disso, para defender a primeira posição ou a segunda, tanto a classe dos capitalistas como a classe dos trabalhadores se organizam em partidos políticos, associações e sindicatos, para conseguirem através deles o poder e, assim, impor um programa que seja de interesse de sua classe. Mas é, de fato, os partidos políticos os que mais expressam os interesses e a consciência alienada da sociedade. Por isso, abordaremos a seguir alguns dos partidos políticos e, ao mesmo tempo, mostraremos qual das classes eles representam.
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