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GRÉCIA: JUVENTUDE VAI ÀS RUAS LUTAR POR UM NOVO FUTURO!
Por Carlos Vieira

A Grécia, país berço da filosofia e do pensamento ocidental, onde a 500 anos a.C. uma nova maneira de conceber o mundo havia se originado e se desenvolvido, hoje encontra-se não só em uma crise econômica como quase todos os países do mundo, mas enfrenta também uma crise política e um período de violentos conflitos urbanos.

A onda de protestos que se espalhou por quase toda a Grécia esta semana, e que tudo indica continuará ainda nos próximos dias, teria iniciado supostamente após a morte do jovem Alexis Grigoropoulos, de 15 anos, morto no sábado a tiros por um policial. O estudante foi enterrado nesta terça-feira em Atenas entre aplausos e slogans hostis endereçados à polícia. Quando o corpo do adolescente foi levado em um caixão branco para seu túmulo no cemitério de Palio Faliro, na periferia de Atenas, em coro, pelas ruas, vários jovens gritavam "Policiais, porcos, assassinos"; "Alexis está vivo". Ainda, seguindo a tradição grega nos enterros, as pessoas aplaudiam; 5.000 pessoas estiveram presentes no enterro do jovem.

Mas, a morte de Alexis teria sido apenas o pontapé inicial dos violentos conflitos que devem ocorrer durante os próximos dias, não só na Grécia, mas em outros países do mundo; países onde existe um mínimo de cultura-política. Ainda, devemos ter claro em mente que não é a morte de Alexis responsável pelos conflitos que se espalham pelo país, mas o alto índice de desemprego e os baixos salários.

Tanto o governo grego como os dos EUA, França, Espanha, Japão, entre outros, buscam formas e métodos de superar a chamada “crise econômica”, que ameaça levar a falência banqueiros, industriais e uma minoria de empresários que buscam salvar seus grandes negócios. Tais métodos visam uma “saída”, uma “saída da crise”.

Assim, para salvarem seus negócios e aumentarem seus lucros, tanto governo como banqueiros e industriais não hesitam em demitir. Demissões, demissões e mais demissões! Demissões em massa! Essa é a saída! A saída da crise! A continuidade do Capitalismo e o balão de oxigênio de que o Capital necessita para se manter vivo! Para manter os luxos e privilégios de 1% das pessoas mais ricas do mundo.

No entanto, a onda de demissões que já está ocorrendo em todo o mundo, e que deverá ganhar proporções ainda maiores nos próximos meses levará sem dúvida alguma a uma enorme insatisfação das massas, a maiores protestos, greves, e a violentos conflitos de rua.

SINDICATOS INICIAM GREVE GERAL

Além das manifestações e protestos organizados pela juventude grega em resposta a repressão do governo, os principais sindicatos do país iniciaram uma greve geral que intensificou os confrontos entre manifestantes e a polícia, além de ter aumentado a pressão sobre o governo conservador do primeiro ministro.

Com o agravamento da crise, o governo grego já cogita a hipótese de adotar “medidas de emergência”. Na terça-feira, Costas Karamanlis, primeiro-ministro da Grécia, havia pedido que os sindicatos suspendessem a greve - marcada antes da morte do estudante - para evitar qualquer tipo de confusão entre suas reivindicações e os protestos iniciados no sábado.

As organizações sindicais, porém, ignoraram o pedido do primeiro ministro, convocando os trabalhadores para uma manifestação pacífica.

Os sindicatos afirmam que ações do governo como privatizações, aumento de impostos e reforma da aposentadoria pioraram as condições dos gregos - especialmente para os 20% da população que vivem abaixo da linha da pobreza, conforme matéria publicada em site na internet pela BBC de Londres.

Em meio à greve geral, os protestos continuaram e devem continuar em várias cidades gregas. No centro de Atenas, mais de 10 mil pessoas participaram de um protesto na frente do Parlamento. Carregando faixas e cartazes, jovens e trabalhadores gregos pedem a queda do governo. Alguns estudantes chegaram a ocupar uma emissora de TV que filmava um telejornal ao vivo. O repórter e apresentador do jornal foi obrigado a deixar sua cadeira e sua mesa para dar espaço aos estudantes, os quais fizeram suas reinvindicações. Em uma destas, pronunciada por um dos estudantes, pode-se notar o que realmente querem os jovens gregos, e pelo que relamente estão lutando: "Um novo Futuro!"


Diante disso, qual será a resposta do governo burguês e seus aliados?
Repressão, repressão e mais repressão! Esta será sem dúvida alguma a resposta da classe dominante. Na verdade, ela sempre presenteia a juventude e os trabalhadores com desemprego, cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo. É assim que a burguesia e seus carrascos procuram organizar o “Estado de Direto” ou “ Estado Civil”; é assim que a classe dominante mantém o direito de explorar a juventude e os trabalhadores, o direito de se enriquecer e retirar lucros exorbitantes as custas da maioria da população: com demissões, salários baixos e repressão. E é exatamente isso que está a acontecer neste momento na Grécia.

"Os eventos inaceitáveis e perigosos que ocorreram ante as emoções mais extremas não podem e não devem ser tolerados", afirmou Karamanlis, quando reuniu-se com o presidente Karolos Papoulias e os líderes dos partidos de oposição para discutir como acalmar os manifestantes e pôr fim aos distúrbios no país. Ainda, segundo Karamanlis “o governo tem a obrigação de proteger a comunidade”.


Neste caso, qual deve ser a resposta dos trabalhadores e da juventude?

É necessário hoje, mais do que nunca, a construção de uma luta política numa perspectiva socialista e internacionalista entre os trabalhadores e a juventude de todo o mundo, porque, dadas as condições de organização mundial do capitalismo, nenhum dos problemas fundamentais enfrentados pelos estudantes e trabalhadores pode ser resolvido à escala nacional, seja na Grécia, no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia ou em qualquer outro lugar. As lutas dos trabalhadores em cada país devem ser coordenadas e unificadas para além das fronteiras nacionais.

Lutar contra a violência militar, contra a desigualdade social e ataques aos direitos democráticos!

Lutar contra os Burocratas, Oportunistas, Traidores e Opressores!

LUTAR EM DEFESA DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS E POR UM PROGRAMA TRANSITÓRIO!

REAJUSTE MENSAL DOS SALÁRIOS DE ACORDO COM A INFLAÇÃO!

NENHUMA DEMISSÃO!
Exigindo que seja dividida as horas de trabalhos entre todos sem redução de salário e sem nenhuma demissão, e que se criem

FRENTES PÚBLICAS DE TRABALHO PARA OS DESEMPREGADOS!

CONTRA A BUROCRACIA DOS SINDICATOS, DAS UNIVERSIDADES E DOS PARTIDOS POLÍTICOS!

CONSTRUIR OS CONSELHOS E COMITÊS DE TRABALHADORES E ESTUDANTES!

LUTAR POR UMA NOVA VIDA! CONSTRUIR UM NOVO FUTURO POSSÍVEL!

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