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INDÚSTRIAS ANUNCIAM MAIS DEMISSÕES
Por Aroldo Andrade e Carlos Vieira

O efeito dominó da crise econômica mundial parece já ter atingindo as maiores economias do mundo. Além das gigantes norte-americanas que anunciaram demissões em massa, alguns grandes grupos europeus também anunciaram mais demissões. O grupo holandês ING, com forte atuação nos mercados de seguros e financeiro, anunciou 7 mil demissões, equivalente a 5,4% de todo o seu contingente de funcionários. A Philips informou o corte de 6 mil empregos em suas indústrias. A Steelmaker Corus, que pertence ao grupo indiano Tata Steel, anunciou 3.500 demissões, das quais 2.500 ocorrerão em suas unidades na Inglaterra. Enquanto isso, no Brasil, acompanhamos Lula falando, constantemente, que “o Brasil está vacinado contra a crise”. Até quando Lula irá enganar a classe trabalhadora brasileira e a si mesmo? No Brasil, só a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou que cerca de 130 mil postos de trabalho foram fechados no setor industrial em dezembro no estado. Todos os segmentos demitiram e continuam demitindo. Mas afinal, qual o motivo das demissões em massa que está a ocorrer em todo o mundo?

Este desemprego em massa é resultado da contradição entre a superprodução de mercadorias e o subconsumo das massas pelo fato de que o desenvolvimento tecnológico foi capaz de produzir muito mais do que o necessário para aqueles que estão em condições de consumir. Assim, para que a indústria e o comércio voltem a funcionar é necessário consumir todo excedente de produção, mas para consumir precisa-se de um salário razoável e para ter salário é necessário um emprego. No entanto, a indústria precisa demitir porque não vende seus produtos, e as pessoas desempregadas não compram tais produtos porque não tem salário, e essa é a contradição que os economistas burgueses vêm tentando resolver desde o inicio do capitalismo, entretanto a retórica economicista burguesa não é capaz de dar conta de sua própria economia.

Porém, uma coisa é certa, enquanto todo excedente não for queimado, a economia não voltará a crescer, e se não encontrar compradores o excedente será destruído ora através de guerras, ora através do apodrecimento de produtos nos armazéns e ora pela destruição dos armazéns e máquinas que vão se deteriorando pela falta de uso. Isto já é o suficiente para mostrar que as forças produtivas pararam de crescer, simplesmente porque este modo de produção, envelhecido e caduco, precisa destruir tudo aquilo que foi produzido para voltar a crescer, ou seja, enquanto milhares de pessoas no planeta morrem de fome todos os dias, são queimadas toneladas e toneladas de produtos e meios de produção para poder manter essas relações ultrapassadas que interessam a uma única classe, a burguesia[1]. E ainda mais, ela não está nem um pouco interessada em resolver os problemas da humanidade, pois seu único interesse é lucrar cada vez mais, mesmo que a miséria e a violência estejam aumentando todos os dias.

A classe que domina economicamente domina também politicamente e ideologicamente. Portanto, precisam e dominam os meios de comunicação porque desse modo ela esconde a origem dos problemas e, não só escondem, mas utilizam-se também desses meios para convencer os trabalhadores de que nós devemos aguardar por enquanto os efeitos da crise porque isso é passageiro. “Devemos ter fé em Deus”, dizem os religiosos, porque “ele sabe o que está fazendo”, “fecha uma porta hoje mas amanhã abrirá duas”, e assim vão cedendo espaço para os vendedores de ilusões como, charlatães religiosos de auto ajuda e até para falsos economistas como o caso recente de um economista contratado pelo “fantástico” para ensinar uma menina como administrar a casa com um salário miserável do pai, cujo destino será o SUS para tratar da desnutrição de toda família.

Além disso, outro artifício utilizado para sair da crise é a cooptação de lideranças sindicais, “pelegas”, no sentido de convencer os trabalhadores do rebaixamento salarial e que as demissões são inevitáveis. Essa cumplicidade se dá ora pela corrupção direta, ora pela oferta de cargos no governo e também pelo carreirismo acadêmico de muitos deles. Em época de crise, a classe dominante precisa, mais do que nunca, dominar a política e ela faz isso com maestria como foi o caso agora das eleições para a presidência da câmara e do senado onde os cargos foram ocupados por Michel Temer e José Sarney. O primeiro é um advogado com boa capacidade retórica e conhecedor dos princípios liberais da democracia burguesa e que ninguém melhor do que ele para zelar pelas leis organizadas sob esses princípios de interesse da burguesia, o segundo participou da ditadura militar, é latifundiário, está envolvido em corrupção de todo tipo e faz parte de uma oligarquia considerada como a mais reacionária e conservadora de todas.

Como se vê, a burguesia tem sob seu controle todos os mecanismos de poder. E nós trabalhadores como devemos proceder diante de tudo isso?

Primeiro, não permitir que nosso salário seja rebaixado, caso os patrões e o governo tentem fazer isso devemos imediatamente organizar a greve e solicitar que o salário seja reajustado de acordo com a elevação dos preços da cesta básica, das tarifas de água, luz e telefone. Segundo, caso os patrões ameacem qualquer trabalhador de desemprego, alegando que não precisam mais de seu trabalho, devemos exigir a redução das horas de trabalho, isto é, dividir as horas de trabalho entre todos sem redução de salários. Terceiro, se mesmo assim, a classe patronal alegar que a empresa não tem condições de fazê-lo, devemos, então, solicitar a abertura da contabilidade da empresa e aí os trabalhadores poderão se deparar com três situações: na primeira o proprietário se nega a abrir a contabilidade, na segunda o proprietário abre a contabilidade e constatamos que a empresa pode pagar, mas, ela se nega a pagar, na terceira constatamos que a empresa está quebrada. Para o primeiro e o segundo caso os trabalhadores devem continuar a greve uma vez que no primeiro caso os Patrões estariam agindo de má fé e no segundo têm-se condições de pagar, mas se recusam. Para o terceiro caso, e o mais importante, é não aceitar de maneira alguma nem redução nem demissões, mas aproveitar este momento para desencadear um processo necessário para resolver definitivamente as questões da crise, ou seja, é o momento em que soa a hora final deste modo de produção velho e ultrapassado, e abre-se a possibilidade de desencadear a expropriação de uma, duas e assim por diante, das empresas, uma vez que estas foram todas construídas pelos trabalhadores e por isso lhes pertencem. Desse modo, nada mais justo do que colocar sob o controle dos trabalhadores aquilo que foi construído pelos próprios trabalhadores, e ao invés de demitir os trabalhadores chegou a hora de demitir o suposto proprietário que, através de seu egoísmo, não é mais capaz de atender os interesses da humanidade.


[1] O conceito de burguesia aqui é entendido como Marx o definiu: todos os capitalistas modernos, donos dos meios de produção, e que empregam trabalho assalariado.

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