GUERRA NA GEORGIA : MAIS UMA FAÇANHA DO CAPITAL
Por Aroldo Andrade
Os conflitos entre Rússia e Geórgia parecem estar longe de acabar. Além disso, as informações que nos chegam não são confiáveis tendo em vista o fato de que a imprensa do mundo inteiro é totalmente manipulada de acordo com os interesses daqueles que detém o poder na atualidade. Diante deste problema, vamos fazer uma analise destes conflitos do ponto de vista lógico para percebermos, como veremos a seguir, a relação dos mesmos com a luta de classe.
O mundo acabou se rendendo ao domínio da burguesia e a lógica do lucro se espalhou por toda parte. Mas, esta lógica é a própria luta de classe, onde, de um lado, a classe patronal, para obter o maior lucro possível, procura aumentar a jornada de trabalho ao máximo e comprimir os salários no limite do mínimo. De tal modo, com o mínimo necessário para sobreviver, os trabalhadores ficarão na dependência desse emprego tendo em vista o fato de que se ele ficar desempregado tão cedo não encontrará outro trabalho e, assim, irá engrossar a fila dos desempregados. Por outro lado, temos o trabalhador que pretende, constantemente, fazer o oposto, isto é, aumentar seu salário e reduzir a jornada de trabalho pela razão de que se ele tiver sucesso nessa luta conseguirá pegar para si uma parte maior do lucro que está sendo apropriado pelo capitalista.
Mas, infelizmente, essa luta não tem beneficiado o trabalhador, e a queda de braço acaba sempre vencida pela classe dos capitalistas, de tal modo que este excedente de produção que os trabalhadores, na sua luta, não conseguem mantê-lo sob seu controle, acaba se concentrando nas mãos da classe dominante. No entanto, esta última classe precisa, rapidamente, reaplicá-los na produção para continuar o processo de apropriação de trabalho alheio. E é exatamente neste movimento contínuo do trabalho não pago que ele, o próprio trabalho alheio não-pago, vai se transformar em Capital. Assim, esses capitais encontram-se nas mãos de vários proprietários que não podem deixar interromper esse movimento e, para isso, entram em concorrência uns com os outros de tal modo que aqueles que são vencidos pela concorrência perdem o controle de gerenciar essa parte de capitais e que será, necessariamente, anexado ao grupo mais forte. Mas a concorrência continua entre esses grupos, agora mais fortes, e como a lógica continua a mesma, um deles será incorporado ao outro e assim nesse movimento contínuo do mais forte incorporar o mais fraco vão se formando os monopólios. Com isso, temos a impressão de que essa lógica nos levaria a um único monopólio global e o modo de produção capitalista se extinguiria por si só, uma vez que ao eliminar a concorrência através de um único monopólio não teria mais sentido falarmos desse modo de produção simplesmente porque seriam destruídos os princípios básicos dessa forma de organização como a liberdade, igualdade e propriedade. Ou seja, ninguém mais teria a liberdade de se tornar proprietário de uma indústria ou comércio. Então, ficamos nos perguntando, porque será que este único monopólio ainda não ocorreu?
Conforme foi dito acima, os capitais vão se concentrando e, à medida que isto ocorre, estes mesmos capitais vão se deslocando para outros países, entrando em disputa com os monopólios desses países. Mas, geralmente, os capitais que atuam nos seus paises de origem reagem contra a penetração de capitais externos se utilizando do poder do Estado uma vez que os governos nada mais são do que representantes desses mesmos grupos econômicos internos. E, aí, os monopólios, para se defenderem precisam de um governo forte. Ou seja, “O monopólio, em compensação, precisa de um governo o mais autoritário possível, barreiras alfandegárias, suas próprias fontes de matéria prima e mercados” (Trotsky, 1990, p. 25). Mas, a interpenetração de capitais externo, num dado país, está também interligado ao governo de seus países de origem. Portanto, temos aí uma disputa entre os monopólios para abocanhar a maior parte possível dos lucros e ao mesmo tempo uma relação de cada um deles com seus governos que estão ligados aos seus respectivos grupos econômicos. Dentro desse contexto, não podemos deixar de reconhecer que as palavras de Lênin estão mais atuais do que nunca “Será necessário perguntar se haveria aí, no terreno do capitalismo, outro meio que não a guerra para remediar a desproporção entre, de um lado, o desenvolvimento das forças produtivas e a acumulação de capitais e, por outro lado, a partilha das zonas de influência do capital financeiro?” (Lênin, 1982, p. 97).
Portanto, com esses acontecimentos na Geórgia, tudo indica que os capitais russos estão em disputa com os capitais Nortes Americanos e que o governo da Geórgia mantém-se inclinado a favorecer o segundo. O que se pode notar é uma correlação de forças que somente poderá ser decidido através da guerra. No entanto, esta guerra, que surge como resultado da concorrência dos monopólios e a interferência dos governos atrelados a esses monopólios, vêm, simultaneamente, atender um interesse comum a todos os capitalistas. Isto é, o fato de que a guerra tem a capacidade de queimar capital e, dessa maneira, permitir que o modo de produção capitalista continue com sua lógica de exclusão da maioria da população e concentração da riqueza nas mãos de uma minoria.
Sendo assim, qual deverá, então, ser a postura dos trabalhadores do mundo inteiro em relação às guerras? Ora, os trabalhadores não têm pátria e por isso não precisamos estar preocupados em tomar nenhuma posição favorável a um ou a outro país. Mas, devemos sim, estar preocupados em criar uma organização internacional dos trabalhadores para que através dela torne-se possível orientar os mesmos, dos paises que estão em guerra, no sentido de expropriar todas as empresas que estão contribuindo, de alguma maneira, para a guerra. Assim, os trabalhadores poderão iniciar uma greve reivindicando aumento salarial mensal de acordo com a inflação e a divisão do trabalho, existente, entre todos os trabalhadores até levar à paralisação total dessas empresas uma vez que a paralisação dos setores de armamento e de outros, que indiretamente contribuem para a guerra, deixará a burguesia sem as condições de levar em frente sua guerra de rapina.
Referências Bibliográficas:
MARX, Karl. O Capital. Tradução de Regis Barbosa. São Paulo: Nova Cultural, 1988.
TROTSKY, Leon. O Pensamento Vivo de Karl Marx. Tradução Rúbia Prates Goldoni. São Paulo: Ensaio, 1990).
TROTSKY, Leon. Programa de Transição.
LÊNIN, V. Imperialismo Fase superior do Capitalismo. Tradução Olinto Beckerman. São Paulo: Global. 1982.
Por Aroldo Andrade
Os conflitos entre Rússia e Geórgia parecem estar longe de acabar. Além disso, as informações que nos chegam não são confiáveis tendo em vista o fato de que a imprensa do mundo inteiro é totalmente manipulada de acordo com os interesses daqueles que detém o poder na atualidade. Diante deste problema, vamos fazer uma analise destes conflitos do ponto de vista lógico para percebermos, como veremos a seguir, a relação dos mesmos com a luta de classe.
O mundo acabou se rendendo ao domínio da burguesia e a lógica do lucro se espalhou por toda parte. Mas, esta lógica é a própria luta de classe, onde, de um lado, a classe patronal, para obter o maior lucro possível, procura aumentar a jornada de trabalho ao máximo e comprimir os salários no limite do mínimo. De tal modo, com o mínimo necessário para sobreviver, os trabalhadores ficarão na dependência desse emprego tendo em vista o fato de que se ele ficar desempregado tão cedo não encontrará outro trabalho e, assim, irá engrossar a fila dos desempregados. Por outro lado, temos o trabalhador que pretende, constantemente, fazer o oposto, isto é, aumentar seu salário e reduzir a jornada de trabalho pela razão de que se ele tiver sucesso nessa luta conseguirá pegar para si uma parte maior do lucro que está sendo apropriado pelo capitalista.
Mas, infelizmente, essa luta não tem beneficiado o trabalhador, e a queda de braço acaba sempre vencida pela classe dos capitalistas, de tal modo que este excedente de produção que os trabalhadores, na sua luta, não conseguem mantê-lo sob seu controle, acaba se concentrando nas mãos da classe dominante. No entanto, esta última classe precisa, rapidamente, reaplicá-los na produção para continuar o processo de apropriação de trabalho alheio. E é exatamente neste movimento contínuo do trabalho não pago que ele, o próprio trabalho alheio não-pago, vai se transformar em Capital. Assim, esses capitais encontram-se nas mãos de vários proprietários que não podem deixar interromper esse movimento e, para isso, entram em concorrência uns com os outros de tal modo que aqueles que são vencidos pela concorrência perdem o controle de gerenciar essa parte de capitais e que será, necessariamente, anexado ao grupo mais forte. Mas a concorrência continua entre esses grupos, agora mais fortes, e como a lógica continua a mesma, um deles será incorporado ao outro e assim nesse movimento contínuo do mais forte incorporar o mais fraco vão se formando os monopólios. Com isso, temos a impressão de que essa lógica nos levaria a um único monopólio global e o modo de produção capitalista se extinguiria por si só, uma vez que ao eliminar a concorrência através de um único monopólio não teria mais sentido falarmos desse modo de produção simplesmente porque seriam destruídos os princípios básicos dessa forma de organização como a liberdade, igualdade e propriedade. Ou seja, ninguém mais teria a liberdade de se tornar proprietário de uma indústria ou comércio. Então, ficamos nos perguntando, porque será que este único monopólio ainda não ocorreu?
Portanto, com esses acontecimentos na Geórgia, tudo indica que os capitais russos estão em disputa com os capitais Nortes Americanos e que o governo da Geórgia mantém-se inclinado a favorecer o segundo. O que se pode notar é uma correlação de forças que somente poderá ser decidido através da guerra. No entanto, esta guerra, que surge como resultado da concorrência dos monopólios e a interferência dos governos atrelados a esses monopólios, vêm, simultaneamente, atender um interesse comum a todos os capitalistas. Isto é, o fato de que a guerra tem a capacidade de queimar capital e, dessa maneira, permitir que o modo de produção capitalista continue com sua lógica de exclusão da maioria da população e concentração da riqueza nas mãos de uma minoria.
Sendo assim, qual deverá, então, ser a postura dos trabalhadores do mundo inteiro em relação às guerras? Ora, os trabalhadores não têm pátria e por isso não precisamos estar preocupados em tomar nenhuma posição favorável a um ou a outro país. Mas, devemos sim, estar preocupados em criar uma organização internacional dos trabalhadores para que através dela torne-se possível orientar os mesmos, dos paises que estão em guerra, no sentido de expropriar todas as empresas que estão contribuindo, de alguma maneira, para a guerra. Assim, os trabalhadores poderão iniciar uma greve reivindicando aumento salarial mensal de acordo com a inflação e a divisão do trabalho, existente, entre todos os trabalhadores até levar à paralisação total dessas empresas uma vez que a paralisação dos setores de armamento e de outros, que indiretamente contribuem para a guerra, deixará a burguesia sem as condições de levar em frente sua guerra de rapina.
Referências Bibliográficas:
MARX, Karl. O Capital. Tradução de Regis Barbosa. São Paulo: Nova Cultural, 1988.
TROTSKY, Leon. O Pensamento Vivo de Karl Marx. Tradução Rúbia Prates Goldoni. São Paulo: Ensaio, 1990).
TROTSKY, Leon. Programa de Transição.
LÊNIN, V. Imperialismo Fase superior do Capitalismo. Tradução Olinto Beckerman. São Paulo: Global. 1982.
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