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70 ANOS DA FUNDAÇÃO DO PARTIDO MUNDIAL DA REVOLUÇÃO PROLETÁRIA!

Rompendo com a Terceira Internacional em 1938, por entender que os partidos comunistas haviam se tornado organizações burocráticas que trabalhavam unicamente para defender os interesses da casta privilegiada de Moscou e não mais os do proletariado mundial, e em face do que considerava grandes traições dos Partidos Comunistas na década de 1930 (principalmente na França e Espanha, além da Alemanha), Leon Trotsky funda a 4ª Internacional.

Ao defender a formação da 4ª Internacional, Trotsky entendia que deveria se manter o modelo organizativo da Terceira Internacional, ou seja, o de um partido mundial da revolução proletária, com seções nos diversos países que não seriam partidos "independentes", mas parte de um todo que teriam a tarefa de atuar sempre no sentido do desenvolvimento da revolução mundial.

Diversas organizações aderem a 4ª Internacional e passam a ter como eixos político-programáticos o Internacionalismo, o Programa de Transição elaborado por Trotsky em 1938 e a Teoria da Revolução Permanente. Segundo Trotsky, a revolução proletária é mundial e somente assim poderá ser vitoriosa. No entanto, em Agosto de 1940, Trotsky é assassinado por Ramon Mercader, uma agente a mando de Stalin.

Após sua morte, em busca de uma tática apropriada para aquele período, a 4ª Internacional sofre uma crise ainda maior em 1953. No Congresso de 1951, a maioria dos delegados aprovou a proposta defendida por um de seus principais dirigentes, Michel Pablo, segundo a qual as sessões da 4ª Internacional deveriam realizar entrismo nos partidos Comunistas, Social-democratas e Nacionalistas-antiimperialistas. Essa tática, que ficou conhecida como Entrismo sui generis buscava uma aproximação com as velhas e burocráticas organizações stalinistas e sociais democratas. Evidentemente, essa tática levou ao esfacelamento da 4ª Internacional.

Em 1953, um número considerável de dirigentes (como James Patrick Cannon, Pierre Lambert e Moreno) abandonam a Internacional, apoiados pela maioria das sessões australianas, inglesas, chinesas, francesas (PCI), neo-zelandesas, suiças, americanas (SWP) e argentina (PST, que depois se tornaria o Movimiento al Socialismo - MAS).

Cannon publica a então intitulada “Uma carta aberta aos trotskystas do mundo inteiro” e, junto com Lambert e Moreno, ainda consegue dar origem ao Comitê Internacional da Quarta Internacional (CI). Mais tarde, Lambert, Moreno e seus seguidores abandonariam o Programa de Transição, alegando se tratar de um documento escrito em 1938 e, portanto, estar ultrapassado. Um pequeno grupo liderado por Nahuel Moreno (cujos desacordos já eram profundos há vários anos) deixará a Internacional para uma breve unificação com a Organização dirigida por Pierre Lambert. Os revisionismos da teoria trotskysta e as constantes traições enfraqueceriam e iriam dividir ainda mais a 4ª Internacional.

Foram muitas as derrotas sofridas pelo proletriado mundial como consequencia da crise histórica da direção do proletariado, de décadas de traições provocadas pelo carreirismo e oportunismo dentro das fileiras da 4ª Internacional, e pelo sistemático abandono do programa. Entretanto, algumas organizações ainda buscam resgatar o “velho” e verdadeiro Programa da 4ª Internacional, aquele desenvolvido por Trotsky, extraido de O Capital e das experiencias da Revolução Russa: o PROGRAMA DE TRANSIÇÃO

Publicamos abaixo, o Discurso de Trotsky na fundação da 4ª Internacional:


Discurso Gravado para Conferência de Fundação da IV Internacional
Por Leon Trotsky
Espero que desta vez a minha voz chegue para poder assim participar desta dupla celebração de vocês. Ambos os acontecimentos, o décimo aniversário de nossa organização norte-americana e o congresso de fundação da Quarta Internacional, são incomparavelmente mais dignos da atenção dos operários que as gesticulações belicosas dos chefes totalitários, as intrigas diplomáticas ou os congressos pacifistas. Os dois fatos passarão a ser importantes marcos históricos.

É necessário notar que o surgimento do grupo norte-americano de bolcheviques leninistas, devido a valente iniciativa dos camaradas Cannon, Shachtman e Abern, não foi um fato isolado. Coincidiu aproximadamente com o começo do trabalho internacional sistemático da Oposição de Esquerda que surgiu na Rússia em 1923, mas a tarefa regular em escala internacional começou com o Sexto Congresso do Comintern. Sem que tivéssemos um encontro pessoal entre nós, chegamos a um acordo com os pioneiros norte-americanos da Quarta Internacional, antes de tudo, acerca da crítica ao programa da Internacional Comunista. E em 1928 começou o trabalho coletivo que, depois de dez anos, levou à elaboração do programa recentemente adotado em nossa conferência internacional. Temos direito a afirmar que nesta década fomos persistentes, pacientes e honestos. Os bolcheviques leninistas, os pioneiros internacionais, nossos camaradas de todo o mundo, buscavam o caminho da revolução, como genuínos marxistas, não em seus sentimentos e desejos, mas na análise da marcha objetiva dos acontecimentos. Sobretudo, guiava-nos a preocupação de não enganar aos demais nem a nós mesmos. Investigamos séria e honestamente e encontramos algumas coisas importantes. Os fatos confirmaram tanto nossas análises como nossos prognósticos. Ninguém pode negá-los. Agora é necessário permanecermos fiéis a nós mesmos e ao nosso programa. Não é fácil. As tarefas são tremendas, os inimigos inumeráveis...

Queridos amigos, não somos um partido igual aos outros. Nossa ambição não se limita a ter mais filiados, mais jornais, mais dinheiro, mais deputados. Tudo isso faz falta, mas não é mais que um meio. Nosso objetivo é a total libertação material e espiritual dos trabalhadores e dos explorados através da revolução socialista. Se nós não a fizermos, ninguém a preparará, nem a dirigirá.

As velhas internacionais — a Segunda, a Terceira, a de Amsterdã, podendo-se acrescentar também o Birô de Londres — estão completamente apodrecidas. Os grandes acontecimentos que vive a humanidade não deixarão pedra sobre pedra destas organizações que ainda sobrevivem. Só a Quarta Internacional olha com confiança o futuro. É o partido mundial da revolução socialista! Jamais houve um objetivo tão importante. Sobre cada um de nós recai uma tremenda responsabilidade histórica. O partido exige-nos uma entrega total e completa. Que os filisteus continuem buscando sua própria individualidade no vazio; para um revolucionário, doar-se inteiramente ao partido significa encontrar a si mesmo. Sim, nosso partido nos toma por inteiro. Mas, em compensação, nos dá a maior das felicidades, a consciência de participar da construção de um futuro melhor, de levar sobre nossas costas uma partícula do destino da humanidade e de não viver em vão. A fidelidade à causa dos trabalhadores exige-nos a mais alta fidelidade ao nosso partido internacional.

O partido, certamente, também pode se equivocar. Com o esforço comum corrigiremos os erros. Elementos poucos valiosos podem se infiltrar em suas fileiras. Com o esforço comum os eliminaremos. As milhares de pessoas que entrem amanhã em suas fileiras provavelmente careçam da educação necessária. Com o esforço comum, elevaremos seu nível revolucionário. Porém, nunca esqueçamos que nosso partido é agora a maior alavanca da história. Separados desta alavanca, cada um de nós não é nada. Com esta alavanca nas mãos, somos tudo. Não somos um partido como os outros. Não é à toa que a reação imperialista nos persegue furiosamente e a camarilha bonapartista de Moscou se previne com assassinos de aluguel.

Nossa jovem internacional já possui muitas vítimas. Na União Soviética se contam aos milhares. Na Espanha, às dezenas. Nos outros países, por unidades. Neste momento, nos lembramos de todos, com gratidão e amor. Seus espíritos continuam a luta conosco. Os carrascos, conduzidos por sua estupidez e cinismo, acreditam que seja possível atemorizar-nos. Enganam-se! Os golpes nos tornam mais fortes. A selvagem política de Stalin não é mais que uma política desesperada. Podem matar alguns soldados de nosso exército, mas não atemorizá-los.

Amigos, repitamos novamente neste dia de celebração: não podem nos atemorizar. A camarilha do Kremlin precisou de dez anos para estrangular o Partido Bolchevique e transformar o primeiro Estado Operário em uma sinistra caricatura. A Terceira Internacional necessitou de dez anos para abandonar seu próprio programa, convertendo-se em um cadáver apodrecido. Dez anos! Só dez anos!

Permitam-me concluir com uma profecia: durante os próximos dez anos, o programa da Quarta Internacional se transformará no guia de milhões de pessoas, e estes milhões de revolucionários saberão como mover o céu e a terra.

Viva o Partido Socialista dos Trabalhadores dos Estados Unidos!
Viva a Quarta Internacional!

México, 1938

Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive, junho 2005. Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

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