Por Aroldo AndradeEsta semana, na mídia, um dos assuntos que tem ocupado boa parte dos espaços é o trânsito de São Paulo. As ruas estão congestionadas de carros e o transporte coletivo está longe de atender a população adequadamente. A solução apresentada pelos técnicos vai no sentido de ampliar o número de ruas, alarga-las cada vez mais e construir monstruosas pontes, como é o caso da ponte Octávio Frias de Oliveira, inaugurada recentemente. O setor responsável pela engenharia de tráfego nunca teve tanto trabalho como agora. Mas as soluções apresentadas por ele são soluções superficiais, ou seja, soluções que não buscam as causas ou origem do problema.
Diante disso, cabe observar que as relações de produção da atualidade, voltadas para a lógica do lucro, foi capaz de desenvolver a indústria e o comércio de tal modo que a tecnologia e a divisão do trabalho atingiram níveis tão surpreendentes que ninguém poderia imaginar. Entretanto, esta tecnologia acabou, por um lado, expulsando o homem do campo, que teve de se concentrar na cidade e, por outro, ocupou parte dessas pessoas na produção industrial urbana. Mas, devido ao mesmo desenvolvimento tecnológico, produziram-se quantidades enormes de mercadorias, como é o caso da produção de automóveis. No entanto, para que o lucro se realize, é necessária a produção e circulação dessas mercadorias. Assim, temos hoje a indústria automobilística que produz de forma rápida os automóveis e com a mesma rapidez precisam ser consumidos pelo mercado para não interromper o ciclo entre produção e circulação. E, se este ciclo cessar, haverá uma quebradeira geral na indústria automobilística levando, por um lado, à bancarrota dos capitalistas desse setor e, por outro, a demissão de milhares de trabalhadores.
Portanto, a solução não está em construir apenas mais vias, viadutos e pontes, mas está em romper com as atuais relações de produção que entraram em choque com as forças produtivas da atualidade. Dito de outro modo, tem indústrias e comércios em demasia, e a indústria não pode parar de produzir, simplesmente porque ela é como um vampiro que se alimenta de mais valia, ou seja, a burguesia responsável pela indústria automobilística não pode parar de sugar o sangue dos trabalhadores porque sem este alimento ela morreria. Ainda assim, milhares de trabalhadores desse setor são demitidos ano a ano devido ao desenvolvimento tecnológico e a concorrência entre os capitalistas. Alem disso, esta crise, ou seja, esta superprodução de automóveis, acarretada pela lógica do lucro, mais cedo ou mais tarde terá de ser interrompida resultando, assim, em mais demissões.
No entanto, como não é possível fazer a mudança das relações de produção de uma só vez, ou seja, da noite para o dia, temos que fazê-la de forma gradativa, isto é, de forma transitória.
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