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LULA E BUSH: UNIDOS PELO ETANOL
O ETANOL: A ENERGIA DA INFLAÇÃO E A DESTRUIÇÃO DO MEIO AMBIENTE
Por Aroldo Andrade

Um dos problemas que a sociedade vem enfrentando nos dias atuais é a destruição do meio ambiente, uma vez que a devastação do planeta vem ocorrendo de forma vertiginosa e a sobrevivência do mesmo, e consequentemente a nossa, dependerá da humanidade em conter esse avanço. Em vista disso, achamos necessário falar sobre o projeto de energia de Lula, o Etanol; sua parceria com Bush e suas implicações com o meio ambiente. Além disso, mostrar a ligação destes problemas com as relações de produção da atualidade.


O MUNDO DO LUCRO E DAS MERCADORIAS

O atual modo de produção tem sua lógica voltada para o lucro e na busca desenfreada por ele os donos dos meios de produção precisam enfrentar a concorrência do mercado para venderem seus produtos e, dessa forma, realizá-lo de fato. Mas, para vencerem a concorrência precisam baixar o valor de seus produtos, e a maneira mais eficiente para isto é o investimento em tecnologia, pela razão de que uma máquina moderna é capaz de produzir grandes quantidades de produtos em pouco tempo e mesmo assim reduzir o número de funcionários. Com isso, o proprietário consegue, por um lado, baixar o valor das mercadorias e por outro livrar-se do problema com os encargos sociais e ações trabalhistas que os trabalhadores, algumas vezes, acabam impetrando contra os patrões. No entanto, o investimento em tecnologia faz com que os donos dos meios de produção gastem enormes quantias de dinheiro em prédios e máquinas modernas, além de aumentar o consumo de matérias prima e utilizar-se de poucos trabalhadores, de tal modo que a combinação desse alto investimento com o baixo valor do produto fará baixar a taxa de lucro dos capitalistas. Assim sendo, esses proprietários terão que aumentar mais ainda a produção para terem os mesmos lucros de antes, quando o nível tecnológico ainda era baixo. E isto é verdade porque agora será necessário vender muito mais produtos para se obter o mesmo montante de dinheiro que se obtinha quando as mercadorias possuíam um valor mais alto. Dentro dessa lógica, a indústria e o comércio encontram-se num ritmo acelerado e não podem parar. Consequentemente, ambos estão sempre precisando de mais matéria prima e de mais energia para mover essa enorme produção de mercadorias. Mas onde encontrar tanta energia para manter esse grande setor industrial e também o setor de transporte tão necessário para conduzir as matérias primas e fazer a distribuição das mercadorias à medida que vão sendo produzidas?

ETANOL x PRODUÇÃO DE ALIMENTOS

Nesse movimento constante as fontes de energia vão se esgotando, e justamente por isso é que está sendo produzido o etanol, derivado da cana, e que ocupará grandes áreas de terras para seu plantio. Mas, se estas áreas estão sendo ocupadas para produção de alimento, então significa que estas mesmas áreas deverão se deslocar para outra região. Mas para onde, se as terras desmatadas já estão todas sendo utilizadas para produção de alimentos?

AMAZÔNIA: O FUTURO “PULMÃO DO CAPITAL”

Ora, só há uma saída para este problema, ou seja, ir para um local que ainda não está sendo usado, ou seja, um local que ainda não foi desmatado. E este lugar existe, e se chama Amazônia. No entanto, algum ambientalista poderia argumentar da seguinte maneira, “a Amazônia não pode ser desmatada porque é o pulmão do mundo e ainda é uma das poucas reservas florestais que resta em nosso planeta”. E o capital responderá, “Eu só conheço a lógica do lucro porque este é meu único alimento e sem ele eu morreria. Então, entre eu e a Amazônia que morra a Amazônia!”. Como se vê, a lógica do lucro tem no seu interior a capacidade de, por um lado, resistir toda ação dos programas de preservação do meio ambiente e, por outro, a capacidade de continuar destruindo as poucas florestas que ainda restam, destruir as fontes de matéria prima, poluir o ar, poluir as águas dos rios, concentrar a população nas grandes cidades e aumentar a vazão de esgoto ao ponto de tornar insuportável o mau cheiro que ocorre em qualquer metrópole que visitamos. Além disso, como a tecnologia se desenvolve cada vez mais, e os trabalhadores são substituídos por maquinas, significa que o batalhão de reserva aumenta cada vez mais, e, com isso, a oferta de trabalhadores torna-se muito maior que a procura, resultando, desse modo, a diminuição dos salários e a demissão de mais e mais trabalhadores.


CAPITAL x TRABALHADORES

Diante disso, não adianta termos nenhuma ilusão dentro desse modo de produção, e a única saída será rompermos com estas relações já ultrapassadas, e construirmos algo novo onde o homem volte a ter controle sobre a produção e possa planejar de forma racional a distribuição da mesma, ao invés de ser conduzido por este Ser, que é o próprio capital. Mas, embora esta passagem não seja possível faze-la de uma só vez, os trabalhadores podem, pelo menos, exigir o mínimo para sobrevivermos nesse invólucro cheio de contradições. Ou seja, para que todos os trabalhadores possam estar empregados, exigir que as horas de trabalho existentes sejam divididas entre todos sem redução de salário. Ao mesmo tempo, para não terem seus salários corroídos pela inflação, ordenar que os mesmos sejam reajustados mensalmente de acordo com a elevação dos preços. Além disso, exigir dos governantes a criação de Frentes Públicas de Trabalho, que não poluam o meio ambiente, e que assegurem as Liberdades Democráticas para que os Trabalhadores possam levantar essas bandeiras.

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