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Após o ocorrido na eleições presidenciais em outubro de 2010 no Brasil, uma reflexão sobre a atual conjuntura se faz necessária no sentido de descobrir se houve alguma mudança nos governos passados e ao mesmo tempo fazer uma previsão das futuras mudanças que por ventura poderão acontecer durante o novo governo sob a direção da presidenta Dilma Rousseff.

QUEM É DILMA? QUE TIPO DE PARTIDO É O PT?

Por Grupo Movimento

Dilma Rousseff. De “Ex-guerrilheira” à agente do Capital Internacional.

Para os trabalhadores que ainda depositam confiança no “Partido dos Trabalhadores” (PT), a expectativa é de que Dilma, a “ex-guerrilheira”, ex-brizolista, hoje lulista e atual presidenta da República, que diz representar os trabalhadores e, em especial, as mulheres, ao alcançar o cargo máximo de dirigente do país possa utilizar esta posição para defender os interesses da classe trabalhadora. Isto é o que dizem os petistas, mas não é o que acontece. Basta ver a proposta do Salário Mínimo defendido por Dilma e seu partido e a não oposição do mesmo frente ao reajuste absurdo dos Salários dos deputados. Dilma e o PT, fizeram todos os tipos de alianças possíveis para ganhar as eleições e manterem-se no poder, desde alianças com partidos declaradamente de direita, como é o caso do PMDB, PR, banqueiros especuladores, empreiteiras, fazendeiros e empresários sangue-sugas, entre outros grupos capitalistas. Porém, a ferramenta mais eficaz utilizada pelo PT para sua compra de votos continua sendo ainda os sindicatos e seus programas assistencialistas como o Bolsa Família, campeã de arrecadação de votos no nordeste, a região mais pobre do país. No entanto, com sua campanha inteiramente financiada por seus aliados, é fácil deduzir para quem o PT trabalha e para quem Dilma irá governar. Afinal, “quem paga escolhe a música”. Se o PT fosse mesmo um partido compromissado com a classe trabalhadora, aliar-se aos inimigos desta somente para ganhar as eleições não passa, no fundo no fundo, de uma brincadeira de muito mau gosto. Além disso, como Dilma, uma desconhecida das massas até há alguns meses, conseguiu chegar ao poder como que da noite para o dia? Muita coisa ainda falta na biografia da “companheira” Rousseff. Dilma nunca foi vista em manifestações de rua depois do fim do regime militar, talvez nem antes. É óbvio que sem o apoio de Lula, Dilma jamais conseguiria ser eleita. Mas, não foi só Lula e sua popularidade quem ajudou a angariar votos para Rousseff, mas o grande capital internacional, as grandes multinacionais e a oligarquia financeira.

O “Programa” Petista.

O programa ideológico e político petista, tem como principal característica, a capacidade de confundir a grande maioria dos trabalhadores. Não os ensina a criar uma consciência de classe, mas, pelo contrário. Sua direção, na grande maioria oportunista e corrupta, introduz na consciência dos militantes do partido que é possível pensar uma sociedade boa e justa para os trabalhadores conciliando o interesse entre opressores e oprimidos, ou seja, entre as duas classes que se defrontam dia-a-dia: patrões e empregados. Para o PT os trabalhadores devem apenas se organizarem para fazerem as reivindicações salariais, mas com cuidado para não atrapalhar o “crescimento da economia”, o “desenvolvimento” do país, nem prejudicar os empresários. A partir deste “programa” e de sua prática, o que se pode constatar, de fato, é e foi, durante os 8 anos de governo lula, o crescimento significativo do número de favelas, da repressão sobre seus moradores, o aumento do desemprego e a concentração cada vez maior da riqueza nas mãos de grandes empresários e banqueiros.

Lula: “O Homem do Povo”.

Como colocou certa vez um filósofo florentino: “percebendo os grandes que não podem resistir ao povo, começam a dar reputação a um dos seus elementos e o fazem príncipe, para poder, sob sua sombra, satisfazer seus apetites”. Maquiavel, em sua obra “O Princípe”, nos revela o verdadeiro papel exercido por Lula e o PT. Percebendo a insatisfação dos trabalhadores frente a recente ditadura militar e aos governos que sucederam a mesma, a burguesia encontrou sua saída e rapidamente tratou de “comprar” este partido com mensalões, mensalinhos, altos cargos e altos salários. Em seguida, com muita segurança, a burguesia propagou para todo o Brasil a necessidade, não de uma revolução, mas de um “trabalhador” presidente da república, alguém que tivesse saída do chão de fábrica, pois, este seria capaz de compreender as dificuldades dos trabalhadores e, desse modo, resolver, definitivamente, o problema desta classe. Daí para frente o PT e seus militantes passaram a se preocupar apenas com as eleições e conceder cada vez mais prioridade às mesmas, de tal modo que a partir deste momento todo tipo de aliança passou a ser uma necessidade para que o “homem do povo”, vindo do chão de fábrica, chegasse e pudesse manter-se no poder. Pois bem, este homem chegou finalmente ao cargo máximo da nação e, mais uma vez, nada de diferente aconteceu aos trabalhadores ao não ser o fato de que estes passaram a receber uma “bolsa” e “salário miséria”. Os empresários e banqueiros nunca poderiam imaginar que aquele partido que antes era visto com uma “ameaça socialista” pudesse ser algo tão lucrativo e uma ferramenta tão valiosa para bloquear a luta dos trabalhadores. Já estes últimos, continuam a sofrer com o achatamento salarial, com as demissões, com a miséria, com o aumento das favelas, da marginalidade, do desmatamento – muitas vezes ligado ao agronegócio -, da poluição, com o desequilíbrio ecológico, a destruição da natureza e do próprio homem. Isto é, não se viu nenhuma mudança no Estado para que este desse um rumo favorável ao controle da economia e da produção pela classe trabalhadora, a verdadeira produtora de toda riqueza.

A nova forma de dominação burguesa sobre os trabalhadores.

Na verdade, o que houve foi a criação de uma burocracia que se instalou no poder para dar sustentação às atuais relações de produção cuja lógica concentra riqueza, achata salários e desemprega as pessoas. Essa burocracia, ou, melhor dizendo, a burocracia petista, usou num primeiro momento o artifício de dizer que um operário, como presidente da república, resolveria o problema dos trabalhadores, mas, da mesma forma que os governos anteriores, não houve nenhuma mudança nas relações entre opressores e oprimidos, entre patrões e empregados. Num segundo momento, a burocracia precisava de outra desculpa para se manter no poder e lançou mão da questão de gênero indicando uma mulher à presidência da república, como se isto fosse a solução do problema em relação à questão da mulher e dos trabalhadores. Com esse artifício aproveitou-se do espaço que ainda não tinha sido usado por outros partidos para se manter no poder e retardar o processo de avanço da consciência de classe. Quer dizer, mais tarde as mulheres perceberão que a única mudança a ocorrer é o fato de que ela poderá deixar de ser explorada pelo homem para ser explorada por outra mulher e, assim, o processo de exploração de um sobre o outro continuará por muito mais tempo. A verdadeira emancipação da humanidade deverá aguardar ainda um bom tempo para pular mais esse degrau da escada lógica do pensamento, que apesar de ser doloroso, será necessário para a negação dessas aparências provocadas principalmente pela farsa que representa o chamado “Partido dos Trabalhadores”, que continuará criando obstáculos à classe trabalhadora durante os próximos quatro anos.

Mas, assim que ficar superada a ilusão da mulher no poder, provavelmente será deslocado o eixo da questão para o problema racial ou para uma questão de ordem ecológica. Isto é, primeiro disseram que era necessário um operário no poder para libertar a classe trabalhadora. No entanto, as mudanças não passaram de reformas do tipo Bolsa Miséria e execução de favelados. Agora, insinuam a necessidade de uma mulher no poder para emancipação da mesma. Pobres mulheres trabalhadoras, que vibraram diante da televisão com a vitória de Dilma, logo se darão conta que terão de continuar amargando uma alta jornada de trabalho, salários baixos e, além disso, sujeitarem-se a serem demitidas a qualquer instante. Enquanto isso a traidora e oportunista madame Rousseff estará usufruído de um alto salário e de todas as mordomias que o cargo lhe proporciona. Em seguida, passado o ciclo de dominação “feminista”, a questão central será, provavelmente a do negro e que a emancipação deste só será possível caso um negro se torne presidente da república, como o novo modelo liberal norte-americano. Da mesma forma, os trabalhadores negros deixarão de serem explorados pelo branco para serem explorados pelo próprio negro. É desse modo que a classe dominante se manterá no poder, usando todos esses artifícios, simplesmente porque não se trata de uma questão de gênero ou de raça, mas de classe, assim como do modelo de organização da atual sociedade, no qual a burguesia, a classe dominante, procura manter intacta. Ou seja, trata-se de uma forma de organização voltada para o lucro de tal modo que para os patrões aumentarem seus ganhos as medidas tomadas são sempre as mesmas: achatamento salarial, aumento da jornada de trabalho e a substituição do trabalhadores por máquinas modernas que trarão como conseqüência, caso continuem sendo utilizadas a partir desta lógica, milhares de desempregados. Jogados no olho da rua e sem salário, os trabalhadores terão de habitar as favelas e assim na luta pela sobrevivência provavelmente se tornarão presas fáceis do crime organizado.

Uma nova forma de dominação desenvolveu-se e instalou-se no poder, utilizando das questões de gênero, raça, opção sexual, e tudo isso muito bem combinado com os princípios liberais para manter a exploração sobre os trabalhadores. Por essa razão, os operários em todo mundo, sejam negros, brancos, mulheres, homens ou de outra opção sexual deverão travar juntos uma única luta para se opor a essa lógica perversa. As premissas econômicas, as novas invenções e novos progressos técnicos garantem a possibilidade de produção abundante e capaz de suprir as necessidades básicas de todos. Porém, sobre a lógica capitalista de produção isto é impossível. Por isso, levantemos um Programa Transitório! Vamos romper com esta lógica!

Contra o achatamento salarial: Reajuste automático dos salários de acordo com a elevação dos preços!

Contra as demissões, a exploração e a alta intensidade do trabalho: redução da jornada de trabalho sem redução do salário!

Contra o Desemprego: Trabalhos Públicos!

JUNTE-SE A ESTA LUTA! JUNTE-SE AO GRUPO MOVIMENTO!



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