

As eleições se aproximam! Como é normal em todo o ano eleitoral, este é um momento em que as pessoas se colocam a discutir com mais intensidade sobre política, economia, democracia, a atual conjuntura e, finalmente, buscam tomar uma decisão a respeito de escolher qual partido ou em que candidato votar. Nesta edição, em que o jornal O Militante completa 2 anos de luta, o conselho de redação preparou um breve histórico e uma análise dos governos e da política nos últimos tempos no Brasil. Nada melhor do que uma retrospectiva dos acontecimentos políticos mais recentes do país para ajudar o eleitor em sua decisão. Além da matéria sobre as Eleições deste ano, o jornal trás também: No Caderno Operário, entrevista com operários de um dos maiores frigoríficos da região oeste do Paraná, a Coopavel; no Caderno Estudantil, teses elaboradas por estudantes sobre a universidade e o movimento estudantil revelam o que acontece no chamado “meio acadêmico”; O Caderno Educação traz nesta edição a poesia brechtiniana e todo o seu espírito de provocação; ainda, matéria sobre a crise na saúde mostra que a falta de funcionários e a sobrecarga de trabalho revela-se a principal causa do problema. Convidamos o leitor para que conheça uma nova forma de jornalismo, crítico, irônico e sério; um jornal escrito pelos trabalhadores e a juventude para os trabalhadores e a juventude!
Por Grupo Movimento
Em 1964, com o golpe militar, os meios de comunicação e a educação foram rigorosamente controlados e submetidos à censura e à repressão sistemática por parte do novo governo. Através de atos institucionais, os militares fecharam o congresso e controlaram totalmente o poder executivo e judiciário. Não há como saber dos esquemas de corrupção que aconteceram neste período, porém, não é difícil saber que tenha ocorrido em níveis até mais alto que os de hoje. Prova disso, é um dos maiores e mais influentes canais de TV do país, a Rede Globo de televisão, – na época, um canal de TV falido – conseguiu não só sair da falência como se tornar a maior emissora de televisão do Brasil graças aos militares no qual desviavam enormes quantidades de dinheiro para seu proprietário, uma vez que este se comprometeu em colocar à disposição toda estrutura de sua emissora de televisão para dar suporte ao regime militar que então governava ditatorialmente o país. É claro que diante dessa fonte de dinheiro que jorrava para o bolso do Sr. Marinho este jamais iria denunciar os atos de corrupção que aconteciam no governo, mesmo porque ele próprio era o que mais se beneficiava de tudo isso.
As contradições do regime aumentaram e os militares tiveram de entregar o poder aos civis. Com a morte de Tancredo Neves, antes mesmo de assumir o poder, Sarney (PMDB) assume em seu lugar e dá continuidade à roubalheira. Não é à toa que hoje o atual presidente do senado é uma das pessoas mais ricas do Maranhão e possui várias aposentadorias das quais é pressionado constantemente para que desista das mesmas. Mas Sarney simplesmente alega que “a constituição permite essa prática” e, portanto, está com a consciência tranquila para continuar usufruindo de toda essa mordomia. Tudo isso sem contar os recentes escândalos de corrupção e de atos secretos no Senado envolvendo o nome do então presidente da casa. Enquanto isso a maioria dos trabalhadores não tem nem mesmo onde morar. Os trabalhadores mais pobres, ou seja, a grande maioria, morrem de doenças provocadas pela má alimentação e pela falta de moradia adequada e lugares que possam oferecer boas condições de higiene. Ou seja, uma moradia que possa evitar grande parte das doenças que são provocadas justamente devido às instalações construídas próximos de esgoto a céu aberto e de pequenos riachos totalmente contaminados pelos dejetos da cidade. E não só próximo aos riachos, mas, também, na encosta dos morros onde centenas de pessoas acabam sendo soterradas por deslisamentos de terra provocados pela chuva.
Com a saída de Sarney chega ao poder Fernando Collor de Mello, na época filiado ao PRN, hoje filiado ao PTB, atual presidente da comissão de Infra-Estrutura do Senado e membro dirigente do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento. Collor, então, chegou com tanta sede de corrupção que não se contentou com pouca coisa e preferiu carregar o cofre inteiro. A classe dos empresários, da qual Collor era o representante, até poderia tê-lo perdoado pela corrupção, porém, como Collor tomou medidas que prejudicou alguns setores do empresariado brasileiro que o haviam apoiado na campanha, os mesmos se encarregaram de articula o processo de impeachment.
Como o governo burguês nada mais é do que um comitê que gerencia todos os negócios comuns de sua classe, o vice de Collor, Itamar Franco, na época filiado também ao PRN, hoje filiado ao PPS, assumiu a gerência dos negócios por algum tempo. Em 1993, com o fim do mandato de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), considerado pela burguesia como o mais capaz para dar continuidade a todo o processo, vence Lula e o PT e é eleito presidente do Brasil, assumindo o governo. Ao assumir o poder, Fernando Henrique e o PSDB fizeram, então, exatamente aquilo que a burguesia mais queria e planejava, a privatização das principais empresas estatais. FHC fortemente apoiado e assessorado por seu partido entregou as empresas estatais a preço de banana para os empresários e colocou no olho da rua grande parte da classe trabalhadora. Este foi o famoso “projeto de estabilização”, tão divulgado por esses lacaios da burguesia. Como só há duas maneiras de administrar a economia de mercado; ou se consegue uma empregabilidade maior dos trabalhadores permitindo a inflação ou se faz um projeto de estabilização, como fez FHC, deixando a maioria dos trabalhadores desempregados, o governo tucano preferiu desempregar massas enormes de trabalhadores e optou pelas privatizações, ficando confortavelmente de bem com os empresários e, ao mesmo tempo, permitindo que os corruptos pudessem chafurdar à vontade no meio de grandes quantidades de licitações fraudulentas que eram ocultadas pelos mecanismos de poder. Se alguém buscasse exigir abrir uma CPI, rapidamente o governo alegaria irresponsabilidade da oposição e que ela teria como objetivo atrapalhar sua administração por motivos eleitoreiros. Diante dessas evidências, pode-se afirmar que o governo FHC e, portanto, do PSDB, foi e é tão corrupto como outro qualquer.
Em 2002, a população, sentindo-se traída, resolve apostar em Luís Inácio Lula da Silva (PT). Esperava-se que um metalúrgico, que viera do chão de fábrica, pudesse fazer um governo voltado para os trabalhadores e que varresse definitivamente a corrupção desse país. Mas, a surpresa não pode ser mais desagradável. O “ex-operário” chegou ao poder e fez um governo permeado por corrupção e voltado para os interesses burgueses. Os banqueiros, nestes 8 anos de governo Lula, nunca ganharam tanto dinheiro, e a burguesia que ainda tinha algum receio de Lula e do PT passou a ver nestes qualidades que ela jamais poderia imaginar. Lula e a burocracia petista conseguiram engessar e bloquear o movimento dos trabalhadores e ao mesmo tempo colocou toda a estrutura do Estado no sentido de proteger o capital industrial e principalmente o capital financeiro. A forma de administrar de Lula nada difere da de FHC, ou seja, o PT em nada difere do PSDB, a não ser em sua capacidade de bloquear o movimento dos trabalhadores. Para manter a estabilidade, isto é, não permitir a volta da inflação, o governo Lula acabou mantendo o país da mesma maneira que antes, com achatamento salarial, concentração de riqueza, uma dívida pública muito maior do que seu antecessor, níveis de corrupção que não perdem para nenhuma das gestões anteriores, além de uma enorme massa de desempregados, famintos e miseráveis. Ao que tudo indica, a candidata à sucessão de Lula, Dilma Rousseff, acusada e rejeitada pela setor da burguesia mais atrasada como “ex-terrorista” e como o “perigo do comunismo”, manterá o projeto petista de bloqueio aos trabalhadores, de “Bolsa Miséria”, “Seguro Desemprego” e de socorro aos banqueiros e grandes capitalistas. Por isso, caso Dilma seja eleita, ou melhor, caso o PT continue no poder, a classe que mais irá ser beneficiada será exatamente esta que hoje teme a “ex-terrorista” e o perigo de um “regime comunista”.
Além de Dilma e Serra, ou seja, além de PT e PSDB, outros partidos lançarão candidatos para concorrer aos cargos do executivo e legislativo. É necessário falarmos um pouco dos demais partidos que também concorrerão à estas eleições, em especial os que se reivindicam de esquerda como o PV, PSOL e PSTU; vejamos se estes partidos e candidatos podem ser considerados uma alternativa aos trabalhadores.
PV, PSOL e PSTU são partidos que possuem forte influência e resquícios petistas. Talvez, seja exatamente por isso que seus programas se assemelham muito ao programa do Partido de Lula e Dilma, com pequenas diferenças. Marina, candidata à presidência pelo PV, até o ano passado encontrava-se filiada ao PT. Ao perder a disputa para Dilma, na escolha de quem sairia candidata pelo partido, decidiu deixar o PT e se filiar ao PV. O motivo para tal ato teve como único e exclusivo objetivo sua candidatura à presidência e absolutamente nada mais, já que os dois partidos possuem programas idênticos. O PSOL, assim como o PV, também possui um programa idêntico ao PT, podendo ser comparado com qualquer outro partido social democrata; o socialismo, para o PSOL, faz parte apenas de seu discurso e reservado para seus “dias de festa”. Já o PSTU, que nas eleições anteriores optou pela chamada “frente de esquerda” com o PSOL e o PCB, este ano lança Zé Maria como candidato. Acontece que todos estes partidos, além de possuírem programas reformistas ou equivocados, não possuem chances de vencerem estas eleições e a sua derrota será a legitimidade da vitória do PT ou do PSDB. No entanto, o que de fato justifica não votar nos atuais partidos que ai estão é que não existe em nenhum deles um projeto ou programa que resolva definitivamente a questão do desemprego e do achatamento salarial.
Enfim, após este histórico dos partidos, dos candidatos, da política e da economia do Brasil nestes últimos anos, dos vários esquemas de corrupção, de bloqueio de luta dos trabalhadores, de mentiras e discursos falaciosos, nos resta agora a seguinte pergunta: Que Fazer?
Nestas eleições tudo indica que a disputa se dará entre PSDB e PT, mas mesmo outros partidos, maiores ou menores, também não apresentam nenhuma proposta que resolva o problema principal, ou seja, o desemprego e o achatamento salarial. Logo, resta apenas uma alternativa ao trabalhadores: o VOTO NULO.
A campanha pelo Voto Nulo, além de representar uma forma de insatisfação, protesto contra a corrupção, o desemprego e a atual e caduca forma de organização da política e da economia como um todo, representa uma alternativa para a organização de um MOVIMENTO que possa dar início a construção de um novo futuro.
Visto que os principais problema enfrentados pela classe trabalhadora são o desemprego e o achatamento salarial, no qual mantêm os trabalhadores em uma situação constante de instabilidade, insegurança, miséria e impossibilitados de viver uma vida digna, só é possível resolver esses e outros problemas através de três medidas, a saber:
Contra o Desemprego e a instabilidade no emprego:
REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO DOS SALÁRIOS!
A divisão das horas de trabalho existente entre todos torna possível reduzir a jornada e a intensidade de trabalho, além de garantir a mesma produção com menos hora de trabalho por indivíduo.
Contra o achatamento salarial:
REAJUSTE MENSAL DOS SALÁRIOS DE ACORDO COM A INFLAÇÃO!
Se o preço de todas as mercadorias sobem a todo o momento, então, nada mais justo, do que a força de trabalho, que também é uma mercadoria, deva acompanhar a inflação.
Contra a miséria, a fome e a favelização que se espalha pelas cidades e campos do país:
FRENTES PÚBLICAS DE TRABALHO NAS CIDADES E NOS CAMPOS.
As frentes públicas de trabalho permitirão a oportunidade de todos terem trabalho e, assim, contribuir com a produção geral, permitindo que o padrão de vida de toda a sociedade melhore.
Por fim, neste momento, não há nenhum “partido confiável” que, de fato, seja capaz de colocar em prática essas medidas. Além de não colocá-las em prática, o que se ouve a todo instante, através dos meios de comunicação tradicionais, é um discurso de competição entre os candidatos e seus partidos para ver quem é mais capaz de levantar e levar adiante o plano de estabilização que desemprega e concentra a riqueza nas mãos de uma minoria. Diante de tudo isso, não há como votar em nenhuma das propostas, nem nos partidos existentes e muito menos nos candidatos que se apresentam. Por isso, nós do Grupo Movimento, optamos e indicamos, a todos aqueles que não suportam mais tanta corrupção e tantas mentiras que se seguem em todas eleições,
A

ESCREVA! CONTRIBUA!
Um comentário:
Concordo que a estrutura do Estado serve apenas para beneficiar a poucas pessoas.
Noto nas reivindicações apenas gritos infantis do tipo "ele tem eu também quero". O editorial deixa claro apenas que o que se deseja são reformas superficiais na sociedade.
Não cabe reforma ao tipo de organização social atual.
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